BEM-ESTAR NO TRABALHO: UM NOVO OLHAR PARA A SAÚDE DO TRABALHADOR
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n4-024Palavras-chave:
Qualidade de Vida, Saúde do Trabalhador, Promoção da Saúde, Doenças Crônicas Não TransmissíveisResumo
INTRODUÇÃO: O presente estudo aborda a crescente incidência dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) e seus impactos na saúde física, emocional e organizacional dos trabalhadores. Fundamentado em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o artigo evidencia o aumento expressivo de casos de LER/DORT no Brasil, com maior prevalência em mulheres, trabalhadores entre 40 e 49 anos e residentes da região Sudeste. Além dos impactos físicos, destaca-se a associação entre DORT, estresse ocupacional, ansiedade, absenteísmo e redução da produtividade. METODOLOGIA, trata-se de um estudo descritivo, diagnóstico e interventivo, com abordagem mista (quantitativa e qualitativa), desenvolvido em uma instituição privada de ensino em Manaus. Participaram 50 trabalhadores, que responderam ao instrumento WHOQOL-100 e participaram de grupos focais. A análise quantitativa foi realizada por estatística descritiva, enquanto os dados qualitativos foram examinados por análise de conteúdo temática. RESULTADOS/DISCURSÃO, indicaram que fatores estruturais como segurança diária, conforto na moradia e acesso a cuidados médicos foram considerados prioritários por mais de 70% dos participantes. Aspectos psicossociais negativos, como solidão e interferência da tristeza nas atividades diárias, apresentaram baixo impacto na percepção geral. O item “aproveitamento da vida” obteve a maior valorização, evidenciando percepção positiva de bem-estar global. Entretanto, indicadores relacionados ao cansaço e preocupação com a vida apresentaram relevância intermediária, sugerindo necessidade de monitoramento preventivo. CONSIDERAÇÕES, qualidade de vida percebida está fortemente associada a fatores de estabilidade e proteção social. As intervenções educativas voltadas à alimentação saudável, hidratação, prática de exercícios físicos e promoção do diálogo institucional mostraram-se estratégicas para fortalecimento da saúde ocupacional. Recomenda-se a ampliação de práticas ergonômicas e políticas integradas de promoção da saúde, visando à prevenção de DORT, redução do absenteísmo e melhoria sustentável da produtividade organizacional.
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