VIGILÂNCIA EM SAÚDE E RESPOSTA A PANDEMIAS NO BRASIL: IMPLICAÇÕES DA EXPERIÊNCIA DA COVID-19 PARA A REESTRUTURAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM SAÚDE (APS)
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-035Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, COVID-19, Pandemias, Sistema Único de Saúde, Vigilância em SaúdeResumo
A Vigilância em Saúde constitui eixo estruturante do Sistema Único de Saúde, desempenhando papel central na detecção, monitoramento e resposta a eventos de interesse em saúde pública. A pandemia da COVID-19 revelou a relevância desse campo e ressaltou a necessidade de integração entre as ações de vigilância e a Atenção Primária à Saúde, considerando sua capilaridade territorial, vínculo com a população e capacidade de coordenação do cuidado. Diante desse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar as implicações da experiência da COVID-19 para a reestruturação da Atenção Primária à Saúde no Brasil, a partir da perspectiva da vigilância em saúde e da resposta a pandemias. Trata-se de um estudo qualitativo, de caráter descritivo e analítico, fundamentado em análise documental, com utilização de artigos científicos extraídos das bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde, além de documentos técnicos, planos e diretrizes oficiais do Ministério da Saúde relacionados à vigilância em saúde, à COVID-19 e à organização da APS. os resultados indicam que a vigilância em saúde assumiu papel estratégico quando integrada às práticas da APS, contribuindo para a identificação precoce de casos, o monitoramento de contatos, a orientação da população e a reorganização dos fluxos assistenciais durante a pandemia. Entretanto, observou-se heterogeneidade na implementação dessas ações entre os territórios, associada a desigualdades estruturais, limitações dos sistemas de informação, sobrecarga das equipes e fragilidades na articulação entre vigilância e assistência. Conclui-se que a experiência da COVID-19 evidenciou avanços e lacunas na integração entre vigilância em saúde e APS, apontando a necessidade de fortalecimento institucional, reorganização dos processos de trabalho e incorporação sistemática das práticas de vigilância no cotidiano da atenção primária, visando maior capacidade de resposta a futuras emergências sanitárias no âmbito do SUS.
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