EDUCAÇÃO LITERÁRIA EM TEMPOS DE SILÊNCIO: O GESTO DE RESISTÊNCIA EM “O APRENDIZADO DE MARIAZINHA”, DE B. KUCINSKI
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n5-018Palavras-chave:
Literatura de Testemunho, Educação Literária, Memória Coletiva, Bernardo Kucinski, Resistência PedagógicaResumo
Este artigo analisa o ensino do conto O aprendizado de Mariazinha, de Bernardo Kucinski, como gesto de resistência pedagógica ao negacionismo histórico e ao apagamento da memória coletiva em uma turma do Ensino Médio de uma escola pública do Espírito Santo. A partir de uma concepção de educação literária comprometida com a formação crítica e omnilateral dos sujeitos, a proposta busca superar a dicotomia forma-conteúdo, mobilizando a dimensão estética da narrativa testemunhal como instrumento de consciência histórica. Os resultados indicam que a mediação pedagógica intencional do texto literário pode provocar deslocamentos éticos e cognitivos nos estudantes, posicionando a escola pública como espaço legítimo de resistência ao esquecimento.
Downloads
Referências
ALMEIDA, S. P. F.; DALVI, M. A. Compatibilidades e incompatibilidades entre a noção de leitura literária e a pedagogia histórico-crítica. Germinal: marxismo e educação em debate, [S. l.], v. 16, n. 2, p. 179-193, 2024.
BAKHTIN, M. O romance de educação na história do realismo. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 223-276.
BONDÍA, J. L. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Revista Brasileira de Educação, n. 19, p. 20-28, 2002. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-24782002000100003
DALVI, M. A. Literatura na educação básica: propostas, concepções, práticas. Caderno de Pesquisa em Educação PPGE-UFES. Vitória, n. 38, p. 123-140, 2013.
DALVI, M. A. Formação de leitores e educação literária: uma base que desaba. Voz da Literatura, Brasília, v. 7, n. 7, p. 13-17, 2018.
DALVI, M. A. Democracia e pobreza em pesquisas brasileiras sobre educação literária. Revista Graphos, vol. 22, n. 2, p. 27-46, 2020. DOI: https://doi.org/10.22478/ufpb.1516-1536.2020v22n2.52584
FERRAZ, M. Intruso, incômodo, urgente: lugares do testemunho no ensino de literatura. Via Atlântica, São Paulo, n. 28, p. 121-142, 2015. DOI: https://doi.org/10.11606/va.v0i28.98658
FIGUEIREDO, E. A literatura como arquivo da ditadura brasileira. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2017.
GAGNEBIN, J. M. Lembrar escrever esquecer. São Paulo: Editora 34, 2006.
GINZBURG, J. Linguagem e trauma na escrita do testemunho. Revista Conexão, v. 3, n. 3, [s.p.], 2008. DOI: https://doi.org/10.22456/2594-8962.55604
GINZBURG, J. Literatura, violência e melancolia. Campinas, SP. Autores Associados, 2012.
KUCINSKI, B. A cicatriz e outras histórias: (quase) todos os contos de B. Kucinski. São Paulo: Alameda, 2021.
LIMA, A. O ensino da literatura e a pedagogia do digesto. In. LIMA, Aldo de (Org.). O direito à literatura. Recife: Ed. Universitária da UFPE, 2012. p. 36-49.
MARCO, V. A literatura de testemunho e a violência de estado. Revista Lua nova, n. 62, p. 45-62, 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-64452004000200004
MARTINELLI FILHO, N. Formas de esquecer: o estatuto da memória em contos de Bernardo Kucinski. São Carlos: Pedro & João Editores, 2022.
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 11ª Ed. Campinas: Autores Associados, 2011.