NARRATIVAS PERIFÉRICAS E DISPUTAS EPISTÊMICAS: O RAP COMO PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NA EXPERIÊNCIA NEGRA BRASILEIRA

Autores

  • Jonas de Souza Gonsalgo Autor
  • Elenice de Souza Lodron Zuin Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n3-122

Palavras-chave:

Colonialidade do Saber, Rap, Educação, Pensamento Negro

Resumo

Considerando que a modernidade ocidental foi historicamente constituída em estreita relação com os processos de colonização, com a racialização dos corpos e com a hierarquização global dos saberes, observa-se a consolidação de um padrão de poder que definiu quais conhecimentos seriam reconhecidos como universais e quais seriam marginalizados ou silenciados. Nesse contexto, emergem produções culturais periféricas que tensionam essas hierarquias epistêmicas e produzem interpretações críticas da realidade social. Objetiva-se, portanto, discutir o estatuto epistemológico dessas produções culturais, especialmente do rap brasileiro, compreendendo-o como um espaço de elaboração crítica da experiência social e como uma forma legítima de produção de conhecimento. Para tanto, procede-se a uma análise teórica fundamentada nos estudos decoloniais, no pensamento negro e na sociologia da educação, mobilizando contribuições de autores como Aníbal Quijano, Walter Mignolo, Catherine Walsh, Achille Mbembe, Lélia Gonzalez, Nilma Lino Gomes, Frantz Fanon e Boaventura de Sousa Santos. Observa-se que o rap, particularmente na obra do grupo Racionais MC’s, constitui um campo de elaboração intelectual que articula denúncia social, memória coletiva e interpretação crítica da experiência negra periférica no Brasil. Conclui-se que tais produções culturais podem ser compreendidas como práticas epistêmicas relevantes, contribuindo para o debate sobre a decolonização do conhecimento e para o reconhecimento de saberes historicamente marginalizados no campo educacional.

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Publicado

2026-03-25

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

GONSALGO, Jonas de Souza; ZUIN, Elenice de Souza Lodron. NARRATIVAS PERIFÉRICAS E DISPUTAS EPISTÊMICAS: O RAP COMO PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NA EXPERIÊNCIA NEGRA BRASILEIRA. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 3, p. e12668, 2026. DOI: 10.56238/arev8n3-122. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12668. Acesso em: 29 mar. 2026.