ENSINAR AO APRENDER, APRENDER AO ENSINAR – O ETHOS DIALÉTICO DOCENTE EM “PEDAGOGIA DO OPRIMIDO”, DE PAULO FREIRE
Palavras-chave:
Pedagogia do Oprimido, Ethos Dialético Docente, Identidade Docente, Educação EmancipadoraResumo
A obra freireana mantém atualidade singular ao afirmar a educação como prática ética, política e dialógica, na qual ensinar e aprender constituem um movimento indissociável de produção coletiva do conhecimento. Nessa perspectiva, o capítulo parte da compreensão de que o ethos docente proposto por Freire não se reduz a uma orientação metodológica, mas expressa uma concepção ontológica e histórica do “ser professor”, comprometida com a humanização, a emancipação e a superação das relações opressoras no interior da escola e da sociedade. O objeto do capítulo consiste na análise do ethos dialético docente presente em “Pedagogia do Oprimido”, compreendido como a articulação dinâmica entre ensinar e aprender, autoridade e liberdade, saber sistematizado e saber da experiência, no âmbito de uma prática pedagógica fundada no diálogo e na práxis transformadora. Ao mobilizar categorias centrais do pensamento freireano – como diálogo, conscientização, práxis, inacabamento humano e educação problematizadora –, o texto busca evidenciar como a docência, em Freire, se constrói na reciprocidade pedagógica, na escuta ativa e na recusa da lógica bancária da educação. Nesse horizonte, a pergunta de partida que orienta a reflexão é em que medida o princípio freireano de “ensinar ao aprender e aprender ao ensinar” constitui um ethos dialético capaz de reconfigurar a identidade docente e de sustentar práticas pedagógicas comprometidas com a emancipação humana. Teoricamente, de forma central, o estudo se ancora em “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire (1959; 1979; 1992; 1997; 2011; 2013; 2014; 2015; 2017) e outras obras, bem como em trabalhos de Freire em diálogo com Faundez (1985), Macedo e Guimarães (2011; 2013; 2014). Articulam-se, ainda, contribuições de autores que discutem pedagogia crítica, formação docente e teoria social, como Giroux (1997; 1999; 2000; 2011; 2013; 2014; 2022; 2024), McLaren (1994; 2014; 2015), Gramsci (1999; 2000; 2001; 2007), Habermas (1972; 2003), Nóvoa e Perrenoud (1995; 2000), entre outros. Trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, de caráter descritivo e bibliográfico, orientada por um viés analítico, que busca compreender o ethos dialético docente em sua densidade teórica e em suas implicações formativas. Os achados evidenciam que o princípio freireano de ensinar ao aprender e aprender ao ensinar sustenta um ethos dialético docente que reconfigura a identidade do professor como sujeito histórico, inacabado e politicamente implicado. Constatou-se que esse ethos rompe com a lógica bancária, tecnicista e padronizadora, afirmando a docência como prática ética, relacional e crítica. O estudo demonstra que a reciprocidade pedagógica fortalece práticas educativas fundadas no diálogo, na problematização e na produção coletiva do conhecimento. Verificou-se, ainda, que o ethos dialético oferece bases consistentes para práticas pedagógicas emancipatórias, especialmente em contextos de desigualdade estrutural. Assim, a formação docente emerge como processo permanente de conscientização, reflexão crítica e transformação social.