ENTRE A PRESA E O CAÇADOR: O INSTINTO DA RESISTÊNCIA EM BACURAU

Autores

  • Jack Brandão Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n5-125

Palavras-chave:

Bacurau, Cangaço, Imperialismo, Resistência, Simbolismo da Caça

Resumo

O presente artigo analisa o filme Bacurau (2019), de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, sob uma perspectiva histórico-sociocultural que vincula o sertão brasileiro ao imaginário do cangaço e às narrativas de resistência popular. A partir do diálogo com a literatura regionalista — em especial O Cabeleira (1876), de Franklin Távora — e da discussão crítica sobre discursos raciais do século XIX (exemplificados por Arthur de Gobineau), bem como da produção intelectual brasileira representada por Euclides da Cunha (Os Sertões), busca-se compreender como representações racializadas e deterministas do sertão contribuíram para naturalizar a violência e justificar formas de dominação. O estudo estabelece ainda uma analogia entre a caçada retratada em Bacurau e práticas imperialistas contemporâneas, nas quais potências hegemônicas impõem sua força militar e cultural sobre povos considerados inferiores; essa relação é problematizada à luz da Guerra do Vietnã, em que os vietnamitas subverteram a lógica da dominação, invertendo a condição de presa em caçador. Para interpretar o prazer sádico dos caçadores e as dinâmicas coletivas de violência, o artigo mobiliza teorias psicológicas do instinto e das pulsões — articulando as reflexões de William James sobre hábito e instinto, o enfoque de William McDougall nos motivadores instintivos e as formulações freudianas das pulsões (incluindo a tensão entre pulsão de vida e pulsão de morte). Essas perspectivas conjuntas iluminam como disposições individuais, narrativas culturais e ideologias racializadas convergem na representação da caçada e da insurgência popular no filme.

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Publicado

2026-05-25

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

BRANDÃO, Jack. ENTRE A PRESA E O CAÇADOR: O INSTINTO DA RESISTÊNCIA EM BACURAU. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 5, p. e13258 , 2026. DOI: 10.56238/arev8n5-125. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/13258. Acesso em: 29 maio. 2026.