APENDICECTOMIA OU TRATAMENTO CONSERVADOR? UMA REVISÃO ATUAL DAS EVIDÊNCIAS NO MANEJO DA APENDICITE AGUDA

Autores

  • Ester de França Ruby Autor
  • Joice Samara Litka Autor
  • Juliano Werner Autor
  • Amanda Niedziela Autor
  • Marco Antonio Schueda Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n4-001

Palavras-chave:

Apendicectomia, Apendicite, Antibiótico

Resumo

A apendicite aguda permanece uma das principais causas de abdome agudo em adultos, e, historicamente, a apendicectomia consolidou-se como o tratamento padrão. No entanto, evidências científicas recentes têm demonstrado que a antibioticoterapia pode representar uma alternativa terapêutica viável em casos selecionados de apendicite aguda não complicada. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar criticamente as evidências disponíveis sobre o uso de antibióticos no manejo da apendicite aguda, discutindo sua eficácia, limitações e critérios de indicação. Para isso, foi realizada uma revisão da literatura baseada em estudos clínicos, ensaios clínicos randomizados e meta-análises que compararam o manejo conservador com antibioticoterapia ao tratamento cirúrgico tradicional. Os resultados indicam que o tratamento conservador pode promover resolução clínica inicial em uma parcela significativa dos pacientes, evitando a necessidade de intervenção cirúrgica imediata em mais de 70% dos casos durante o primeiro ano de acompanhamento. Entretanto, parte dos pacientes pode apresentar falha terapêutica inicial ou recorrência da doença ao longo do seguimento clínico. Dessa forma, a antibioticoterapia pode ser considerada uma alternativa segura em pacientes cuidadosamente selecionados com apendicite não complicada, desde que haja confirmação diagnóstica adequada e acompanhamento clínico apropriado, contribuindo para uma abordagem terapêutica mais individualizada e baseada em evidências.

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Publicado

2026-04-06

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

RUBY, Ester de França; LITKA, Joice Samara; WERNER, Juliano; NIEDZIELA, Amanda; SCHUEDA, Marco Antonio. APENDICECTOMIA OU TRATAMENTO CONSERVADOR? UMA REVISÃO ATUAL DAS EVIDÊNCIAS NO MANEJO DA APENDICITE AGUDA. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 4, p. e12769, 2026. DOI: 10.56238/arev8n4-001. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12769. Acesso em: 9 abr. 2026.