OLIMPÍADAS CIENTÍFICAS COMO ESTRATÉGIA PEDAGÓGICA PARA O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS EM BIOLOGIA: UMA EXPERIÊNCIA NO INSTITUTO FEDERAL DE ALAGOAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n3-113Palavras-chave:
Olimpíadas Científicas, Competências Científicas, Ensino de Biologia, Metodologias Ativas, Educação STEM, Ensino Médio TécnicoResumo
As olimpíadas científicas constituem dispositivos pedagógicos com reconhecido potencial para o desenvolvimento de competências científicas em estudantes da educação básica. No contexto brasileiro, contudo, a participação de escolas públicas localizadas em regiões de maior vulnerabilidade socioeducacional ainda é historicamente limitada, o que reforça desigualdades no acesso à formação científica de excelência. Este estudo relata e analisa a implementação de um grupo de estudos olímpicos no Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Campus Murici, voltado à preparação de estudantes do ensino médio para a Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB) e competições científicas correlatas, investigando seus efeitos sobre o desenvolvimento de competências científicas e o engajamento dos estudantes com a ciência. Trata-se de um relato de experiência pedagógica de natureza qualitativa, com elementos descritivo-analíticos, desenvolvido entre 2023 e 2024. As estratégias pedagógicas adotadas incluíram: catalogação e digitalização de provas anteriores da OBB (2019–2024) em plataforma interativa (Google Forms); elaboração colaborativa de mapas mentais e conceituais; aulas teóricas e práticas laboratoriais no contraturno; sessões síncronas online via Google Meet; visitas técnicas à Usina Ciência e aulas de campo no ecossistema recifal da Ponta Verde (Maceió/AL); participação em eventos científicos institucionais; e produção de materiais de comunicação científica em diferentes linguagens, incluindo literatura de cordel. O grupo de estudos viabilizou a participação de 98 estudantes em cinco olimpíadas científicas distintas (OBB, OBBS, ONC, OBBiotec e OBSMA), com obtenção de nove medalhas e menções honrosas, incluindo três medalhas de ouro na estreia institucional na Olimpíada Brasileira de Biologia Sintética (OBBS). Os estudantes também obtiveram o terceiro lugar no Concurso de Ideias Inovadoras (SINPETE 2023) e apresentaram trabalhos científicos orais em eventos institucionais. Os resultados evidenciam que grupos de estudos olímpicos estruturados em abordagem multimodal e investigativa promovem, simultaneamente, o aprofundamento disciplinar em biologia, o desenvolvimento de competências transversais e a construção da identidade científica dos estudantes. A experiência do IFAL/Campus Murici demonstra o potencial das olimpíadas científicas como instrumentos de equidade educacional e democratização da cultura científica em contextos de escola pública técnica.
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