COOPERAÇÃO INTERINSTITUCIONAL E AÇÃO COLETIVA NA CADEIA PRODUTIVA DE DE HORTALIÇAS: A EXPERIÊNCIA DA CÂMARA REGIONAL DE OLERICULTURA DO VALE DO CAÍ (RS)
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n2-087Palavras-chave:
Cooperação Interinstitucional, Agricultura Familiar, Capital Social, Desenvolvimento Territorial, Ação ColetivaResumo
O artigo analisa a experiência da Câmara Regional de Olericultura do Vale do Caí (RS) pode ser compreendida como uma experiência prática de governança territorial temática, com foco nos processos de cooperação interinstitucional e nos avanços observados no setor de hortaliças. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada na análise documental, na sistematização da experiência acumulada da Câmara e na aplicação de questionário a extensionistas rurais que atuaram na cadeia da olericultura na região. A análise evidencia que a atuação da Câmara foi orientada por escutas estruturadas junto aos agricultores familiares, resultando na definição de agendas e ações demandadas pelo setor produtivo. Entre as principais iniciativas desenvolvidas destacam-se seminários regionais, pesquisas aplicadas em parceria com instituições de ensino, dias de campo, estudos sobre instrumentos de política agrícola, levantamentos de custos de produção, análises sobre a gestão da água para irrigação e estratégias inovadoras de comunicação e orientação técnica. Os resultados indicam que os avanços no setor de hortaliças se expressam menos em indicadores produtivos imediatos e mais na qualificação dos processos de organização, planejamento e articulação institucional no território. A pesquisa com extensionistas reforça o reconhecimento da Câmara como espaço estratégico de mediação, capaz de articular diferentes elos da cadeia produtiva e ampliar a capacidade de resposta institucional às demandas da agricultura familiar. Conclui-se que a experiência da Câmara Regional de Olericultura do Vale do Caí dialoga de forma consistente com princípios associados à governança territorial e ao desenvolvimento territorial sustentável, ao evidenciar o papel da cooperação interinstitucional e da ação coletiva na construção de respostas às demandas do setor produtivo no território.
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