INDICAÇÕES DE SUBUTILIZAÇÃO DA EPINEFRINA AUTOINJETÁVEL FRENTE AO AUMENTO DE CASOS DE ANAFILAXIA EM PEDIATRIA
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-127Palavras-chave:
Epinefrina, Anafilaxia, PediatriaResumo
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica aguda e potencialmente fatal, cuja incidência tem aumentado de forma significativa na população pediátrica. A epinefrina é reconhecida como o tratamento de primeira linha para essa condição, sendo a apresentação autoinjetável a forma mais segura para administração precoce. Contudo, evidências apontam para sua subutilização, o que pode comprometer os desfechos clínicos. Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão integrativa da literatura, as evidências científicas sobre as indicações e a subutilização da epinefrina autoinjetável no manejo da anafilaxia em pediatria. A metodologia consistiu em uma revisão integrativa orientada pelas diretrizes PRISMA 2020 e estruturada pela estratégia PICO. A busca foi realizada nas bases PubMed, BVS e LILACS, contemplando artigos originais publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, nove estudos compuseram a amostra final. Os resultados demonstraram que, apesar da eficácia e segurança da epinefrina serem amplamente reconhecidas, sua utilização em crianças ainda ocorre de forma heterogênea. Fatores como atraso no reconhecimento da anafilaxia, insegurança profissional, barreiras de acesso ao autoinjetor e falhas no seguimento após a alta hospitalar contribuíram para a subutilização do medicamento. Estudos recentes também evidenciaram que novas tecnologias, como o spray nasal de epinefrina, podem favorecer o uso oportuno e reduzir a hesitação na administração. Conclui-se que a subutilização da epinefrina autoinjetável em pediatria não está relacionada à falta de evidências científicas, mas a limitações assistenciais, educacionais e estruturais. Assim, reforça-se a necessidade de estratégias integradas, com capacitação contínua, protocolos padronizados e ampliação do acesso ao medicamento, visando à qualificação do manejo da anafilaxia e à redução de desfechos graves em crianças.
Downloads
Referências
ANDRADE, Vitória Ellen De Assis Ramos et al. Atendimento à anafilaxia na emergência pediátrica: um resumo de literatura. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 2, n. 2, p. 18-18, 2021. DOI: https://doi.org/10.51161/rems/960
AMOAKO, Jeffrey et al. Evaluation of use of epinephrine and time to first dose and outcomes in pediatric patients with out-of-hospital cardiac arrest. JAMA Network Open, v. 6, n. 3, p. e235187-e235187, 2023. DOI: https://doi.org/10.1001/jamanetworkopen.2023.5187
CHA, Lily Myung-Jin et al. The timely administration of epinephrine and related factors in children with anaphylaxis. Journal of Clinical Medicine, v. 11, n. 19, p. 5494, 2022. DOI: https://doi.org/10.3390/jcm11195494
COHEN, Joanna S. et al. Epinephrine autoinjector prescription filling after pediatric emergency department discharge. In: Allergy and Asthma Proceedings. 2021. p. 142. DOI: https://doi.org/10.22541/au.159060396.61182308
CRESCIOLI, Giada et al. Epinephrine nasal spray for the treatment of anaphylaxis: perspectives in pediatrics. Current Opinion in Allergy and Clinical Immunology, v. 25, n. 6, p. 511-517, 2025. DOI: https://doi.org/10.1097/ACI.0000000000001109
DRIBIN, Timothy E. et al. Timing of repeat epinephrine to inform paediatric anaphylaxis observation periods: a retrospective cohort study. The Lancet Child & Adolescent Health, v. 9, n. 7, p. 484-496, 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/S2352-4642(25)00139-7
DRIBIN, Timothy E. et al. PEMCRC anaphylaxis study protocol: a multicentre cohort study to derive and validate clinical decision models for the emergency department management of children with anaphylaxis. BMJ open, v. 11, n. 1, p. e037341, 2021. DOI: https://doi.org/10.1136/bmjopen-2020-037341
DRIBIN, Timothy E. et al. Trends and variation in pediatric anaphylaxis care from 2016 to 2022. The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, v. 11, n. 4, p. 1184-1189, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jaip.2023.01.029
EBISAWA, Motohiro et al. Spray nasal de epinefrina melhora os sintomas alérgicos em pacientes que passam por teste de provocação oral alimentar, fase 3. The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, 2025.
FLEISCHER, David M. et al. Pharmacokinetics and Pharmacodynamics of neffy, Epinephrine Nasal Spray, in Pediatric Allergy Patients. The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, 2025. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jaip.2025.03.019
HERMISDORF, Júlia Aguiar et al. Fatores que influenciam o manejo inadequado da anafilaxia em emergências pediátricas: Revisão integrativa da literatura. Research, Society and Development, v. 13, n. 11, p. e132131147459-e132131147459, 2024. DOI: https://doi.org/10.33448/rsd-v13i11.47459
HO, Chia-Hua et al. Physician adherence to anaphylaxis guidelines among different age groups in emergency departments: 20-Year observational study. Annals of Allergy, Asthma & Immunology, v. 132, n. 4, p. 519-524. e2, 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.anai.2023.12.026
JULIANO, Iraildes Andrade. Acesso Ao Tratamento Da Anafilaxia No Brasil Pela via Judicial No Âmbito Do Sus: O Caso Da Adrenalina (Epinefrina) Autoinjetável. Anais do... Seminário de Iniciação Científica, 2023.
KIENZLE, Martha F. et al. Intervalos de dosagem de epinefrina estão associados a desfechos de parada cardíaca hospitalar pediátrica: um estudo multicêntrico. Medicina de cuidados críticos, v. 52, n. 9, p. 1344-1355, 2024.
MARQUES, Alberto Sampaio; CHERMONT, Aurimery Gomes. Anafilaxia em crianças: uma revisão sistemática da literatura. RECIMA21-Revista Científica Multidisciplinar-ISSN 2675-6218, v. 5, n. 2, p. e524798-e524798, 2024. DOI: https://doi.org/10.47820/recima21.v5i2.4798
NATARAJ, Rajeshwari et al. Epinephrine vs norepinephrine as the initial vasoactive agent in pediatric septic shock: A feasibility randomized controlled trial for recruitment rates and protocol adherence, the epinephrine vs norepinephrine in pediatric septic shock trial. Indian journal of critical care medicine: peer-reviewed, official publication of Indian Society of Critical Care Medicine, v. 29, n. 9, p. 737, 2025. DOI: https://doi.org/10.5005/jp-journals-10071-25043
NETO, Herberto J. Chong et al. Diretrizes da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Sociedade Brasileira de Pediatria para sibilância e asma no pré-escolar. Arq Asma Alerg Imunol, v. 2, n. 2, p. 163-208, 2018. DOI: https://doi.org/10.5935/2526-5393.20180020
NUNES, Keniel Heberth Oliveria et al. Anafilaxia: Do Diagnóstico Precoce Ao Manejo Terapêutico. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 8, p. 2982-2989, 2024. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v10i8.15179
PISTINER, Michael et al. Factors associated with epinephrine use in the treatment of anaphylaxis in infants and toddlers. The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, v. 12, n. 2, p. 364-371. e1, 2024. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jaip.2023.10.049