CURRÍCULO ESCOLAR COMO ESPAÇO EM DISPUTA – EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SABERES DE POVOS ORIGINÁRIOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS

Authors

  • Antonio Nacílio Sousa dos Santos Author
  • José Neto de Oliveira Felippe Author
  • Edimar Fonseca da Fonseca Author
  • Carlos Rigor Neves Author
  • Terezinha Sirley Ribeiro Sousa Author
  • Everaldo Costa Santana Author
  • Alex de Mesquita Marinho Author
  • José Maria Nogueira Neto Author
  • Raíla Suelen Pereira Viana Author
  • Jakson dos Santos Raposo Author
  • Katia Pereira Duarte Author
  • Ítalo Emanuel Rolemberg dos Santos Author
  • Maria Eunice Sá Pitanga Author
  • Flávia Madeira da Silva Author
  • Francisca Jeannié Gomes Carneiro Author
  • Daniel Barbosa dos Santos Author

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev7n5-230

Keywords:

Currículo em Disputa, Saberes Ancestrais, Educação Ambiental Crítica, Justiça Epistemológica

Abstract

O currículo escolar, mais do que uma simples organização de conteúdos, é um “território simbólico” em permanente disputa, onde diferentes concepções de mundo, valores e saberes se confrontam e se entrelaçam. É nesse espaço que se decide quais conhecimentos são considerados válidos e dignos de serem ensinados e quais, por sua vez, são marginalizados ou invisibilizados. Assim sendo, é importante destacar que a educação ambiental, quando orientada exclusivamente por uma perspectiva técnico-científica ocidental, muitas vezes negligencia os saberes ancestrais e as práticas de cuidado com a natureza cultivadas por povos originários e comunidades tradicionais. Desse modo, cabe ressaltar que a inclusão de saberes indígenas, quilombolas, ribeirinhos e de outras comunidades tradicionais nos currículos escolares não se trata apenas de uma questão de representatividade cultural, mas de justiça epistemológica.  Em consequência disso, o presente estudo tem como objeto o currículo escolar entendido como espaço de disputa epistemológica, a partir da análise da presença – ou ausência – da educação ambiental conectada aos saberes de povos originários e comunidades tradicionais. O objetivo geral é refletir sobre como o currículo pode ser ressignificado para acolher perspectivas ambientais que dialoguem com outras racionalidades, para além da lógica dominante do capital e da racionalidade técnica. Além disso, busca-se identificar as barreiras e os desafios para a valorização desses saberes no contexto escolar, bem como mapear experiências pedagógicas que promovam a integração entre escola, território e ancestralidade. Entre os objetivos específicos, pretende-se ainda analisar documentos curriculares e propostas de políticas públicas que tratam da educação ambiental e da interculturalidade, com vistas a identificar avanços e limitações. Assim, a pergunta de partida que orienta esta investigação é: de que maneira o currículo escolar pode ser transformado em um espaço de acolhimento e valorização dos saberes ambientais de povos originários e comunidades tradicionais, contribuindo para uma educação ambiental crítica, plural e decolonial? Teoricamente, utilizamos as obras de Simpson (2017), Bispo dos Santos (2023), Sousa Santos (2006; 2012; 2014; 2018), Brandão (2007), Capra (1997), Conde (2016), Darrell Posey (1985; 1996; 2002), Eliane Potiguara (2018), Freire (1992; 2000; 2014a; 2014b), Leff (2014), Smith (2007), Meneses (2014), Miraglia (2022), Morais (2020), Quintero (2018), Steven Vertovec (2004), Walsh (2005; 2006), entre outras. A pesquisa é de cunho qualitativa a partir de Minayo (2007), descritiva e bibliográfica conforme Gil (2008) e com o viés analítico compreensivo como pontua Weber (1949). Os achados da pesquisa revelaram que o currículo escolar ainda reproduz uma lógica excludente, marcada pela invisibilização dos saberes ancestrais e pela hegemonia da racionalidade técnico-científica. Contudo, identificaram-se experiências pedagógicas que promovem o diálogo entre escola, território e ancestralidade, evidenciando brechas para a construção de uma educação ambiental crítica, plural e decolonial. Além disso, verificou-se que políticas públicas e documentos curriculares avançaram em termos discursivos, mas ainda enfrentam desafios na implementação prática da interculturalidade e da justiça epistemológica nas escolas.

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Published

2025-05-14

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How to Cite

DOS SANTOS, Antonio Nacílio Sousa et al. CURRÍCULO ESCOLAR COMO ESPAÇO EM DISPUTA – EDUCAÇÃO AMBIENTAL E SABERES DE POVOS ORIGINÁRIOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS. ARACÊ , [S. l.], v. 7, n. 5, p. 24937–24981, 2025. DOI: 10.56238/arev7n5-230. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/5130. Acesso em: 2 feb. 2026.