INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS NA POPULAÇÃO LGBTQIAP+ E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE, A INTEGRALIDADE DO CUIDADO E A FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n5-112Palavras-chave:
Acesso aos Serviços de Saúde, Equidade em Saúde, Infecções Sexualmente Transmissíveis, Políticas Públicas de Saúde, População LGBTQIAP+Resumo
O presente estudo discutiu as implicações das infecções sexualmente transmissíveis na população LGBTQIAP+, considerando os impactos relacionados ao acesso aos serviços de saúde, à integralidade do cuidado e à formulação de políticas públicas. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, desenvolvida a partir de buscas nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde e Google Scholar, utilizando descritores DeCS/MeSH relacionados às ISTs, população LGBTQIAP+, acesso aos serviços de saúde, equidade e políticas públicas. Foram incluídas produções publicadas entre 2018 e 2025, selecionadas conforme critérios de relevância temática e rigor metodológico. Os achados demonstraram que a permanência de práticas discriminatórias, o despreparo profissional, a fragilidade do acolhimento e a ausência de protocolos inclusivos continuam dificultando o acesso qualificado dessa população aos serviços de saúde. Observou-se ainda que fatores como racismo estrutural, vulnerabilidade social, estigma relacionado à sexualidade e invisibilidade de determinadas identidades de gênero ampliam os riscos de adoecimento e comprometem a continuidade do cuidado. Além disso, estratégias como testagem extragenital, autocoleta, telemedicina e ambientes assistenciais afirmativos apresentaram potencial para fortalecer a prevenção e ampliar o vínculo entre usuários e serviços. Conclui-se que o enfrentamento das ISTs na população LGBTQIAP+ exige ações intersetoriais, fortalecimento das políticas públicas, qualificação permanente dos profissionais de saúde e construção de práticas assistenciais pautadas na equidade, no acolhimento e no respeito à diversidade.
Downloads
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa. Departamento de Apoio à Gestão Participativa. Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. 1. ed., 1. reimp. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2013. 32 p. ISBN 978-85-334-144-5.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988.
CHAKRAPANI, Venkatesan et al. A scoping review of lesbian, gay, bisexual, transgender, queer, and intersex (LGBTQI+) people’s health in India. PLOS Global Public Health, [S. l.], v. 3, n. 4, e0001362, 2023. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pgph.0001362
FERREIRA, Júlia Beatriz Silva. Prevenção de IST para população LGBTI+: revisão de escopo. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Enfermagem) – Escola Paulista de Enfermagem, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2021.
GOYAL, Aman et al. Utilization of telemedicine in healthcare delivery to lesbian, gay, bisexual, transgender, queer, intersex, asexual, other sexual and gender minority (LGBTQIA+) populations: a scoping review. Scientific Reports, [S. l.], v. 15, art. 29010, 2025. DOI: https://doi.org/10.1038/s41598-025-97797-4
GILBEY, Dylan et al. Effectiveness, acceptability, and feasibility of digital health interventions for LGBTIQ+ young people: systematic review. Journal of Medical Internet Research, [S. l.], v. 22, n. 12, e20158, 2020. DOI: https://doi.org/10.2196/20158
HUBACH, Randolph D. et al. Barriers to sexual and reproductive care among cisgender, heterosexual and LGBTQIA+ adolescents in the border region: provider and adolescent perspectives. Reproductive Health, [S. l.], v. 19, art. 93, 2022. DOI: https://doi.org/10.1186/s12978-022-01394-x
IEPS, Instituto de Estudos para Políticas de Saúde. Relatório Técnico nº3/2023 Saúde da População LGBTQIA+. Rio de Janeiro: IEPS, 2023. (Relatório Técnico n. 3).
KHATOUN, Wassim Daoud et al. Health conditions, health literacy, access to care, and health care experiences among lesbian, gay, bisexual, transgender and queer adults in Lebanon. International Journal for Equity in Health, [S. l.], v. 24, art. 95, 2025. DOI: https://doi.org/10.1186/s12939-025-02417-2.
LOPEZ, Eloisa; BELL, Dionne. Comprehensive sexually transmitted infection screening and testing interventions in a predominantly heterosexual population with HIV at a health center. AIDS Patient Care and STDs, [S. l.], v. 36, n. 2 Suppl., p. S-111–S-116, 2022. DOI: https://doi.org/10.1089/apc.2022.0110
MANAVALAN, Preeti et al. Acceptability of multilevel sexual health interventions and sexually transmitted infection screening and testing among persons with HIV across three clinical sites in Florida. AIDS and Acquired Immune Deficiency Syndromes, [S. l.], v. 98, n. 3, p. 268–275, 2025.
MISKOLCI, Richard et al. Desafios da saúde da população LGBTI+ no Brasil: uma análise do cenário por triangulação de métodos. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 27, n. 10, p. 3815–3824, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-812320222710.06602022
OMS, Organização Mundial da Saúde. OMS: 1 milhão de novos casos de ISTs curáveis são registrados diariamente no mundo. Nações Unidas Brasil, Brasília, DF, 7 jun. 2019.
VAN GERWEN, Olivia T et al. Sexual healthcare and at-home STI test collection: attitudes and preferences of transgender women in the Southeastern United States. Frontiers in Public Health, Lausanne, v. 11, art. 1187206, 2023. DOI: https://doi.org/10.3389/fpubh.2023.1187206