DESAFIOS NO DIAGNÓSTICO DA FEBRE REUMÁTICA AGUDA
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n4-057Palavras-chave:
Febre Reumática Aguda, Diagnóstico, Critérios de Jones, Cardite Subclínica, Estreptococo do Grupo AResumo
A Febre Reumática Aguda (FRA) configura-se como uma sequela inflamatória multissistêmica e autoimune decorrente da infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A), sendo a principal causa global de morbidade cardiovascular e mortalidade prematura em jovens. O diagnóstico da FRA é complexo pela ausência de um teste laboratorial específico e definitivo, dependendo da aplicação criteriosa dos Critérios de Jones, que foram atualizados para incorporar nuances epidemiológicas. Este trabalho consiste em uma revisão bibliográfica narrativa que objetiva compilar e examinar as discussões contemporâneas acerca dos desafios diagnósticos da FRA. Os resultados destacam a relevância da atualização dos Critérios de Jones em 2015, que estabeleceu limiares diagnósticos diferenciados por risco populacional e tornou-se mais sensível em áreas de alta endemicidade. A incorporação da ecocardiografia no diagnóstico da cardite subclínica é um pilar fundamental, e a diversidade clínica se manifesta principalmente pela poliartrite migratória e cardite. A patogênese é explicada pelo mimetismo molecular, e um desafio emergente é o papel das infecções cutâneas (como o impetigo) como precursores da doença, além da tradicional faringite. As principais barreiras ao diagnóstico eficaz são acentuadas por iniquidades no acesso à saúde. Embora a pesquisa priorize a identificação de biomarcadores precisos, como o sequenciamento de nova geração (NGS), as estratégias mais eficazes para o presente envolvem o fortalecimento dos registros de doenças e a integração de programas de controle na atenção primária, com ênfase na vigilância ativa de faringites e feridas na pele. A compreensão destes desafios e a detecção precoce são cruciais para mitigar o dano valvar permanente.
Downloads
Referências
ALI SULAFA, K. M. et al. Sudan’s rheumatic fever and rheumatic heart disease guidelines: a simplified approach in an endemic country. Frontiers in Cardiovascular Medicine, v. 11, p. 1403131, 2024.
AUALA, T. et al. Acute Rheumatic Fever and Rheumatic Heart Disease: Highlighting the Role of Group A Streptococcus in the Global Burden of Cardiovascular Disease. Pathogens, v. 11, n. 496, 2022.
BRAY, J. J. H. et al. Long-term antibiotic prophylaxis for prevention of rheumatic fever recurrence and progression to rheumatic heart disease. Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 9, Art. No.: CD015779, 2024.
DOUGHERTY, S. et al. Rheumatic Heart Disease. Journal of the American College of Cardiology, v. 81, n. 1, p. 81-94, 2023.
RALPH, A. P.; CURRIE, B. J. Therapeutics for rheumatic fever and rheumatic heart disease. Australian Prescriber, v. 45, n. 4, p. 104-112, 2022.
TU'AKOI, S. et al. Addressing rheumatic fever inequities in Aotearoa New Zealand: a scoping review of prevention interventions. Journal of Primary Health Care, v. 15, n. 1, p. 59-66, 2023.