SEXUALIDADE HUMANA E PSICANÁLISE: HISTÓRIA, SUBJETIVIDADE E EDUCAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n4-032Palavras-chave:
Sexualidade Humana, Psicanálise, Sexualidade Infantil, Educação, SubjetividadeResumo
A sexualidade humana constitui um campo complexo de disputas históricas, culturais e simbólicas, atravessado por discursos morais, religiosos, científicos e políticos que moldam corpos e subjetividades. Este artigo tem como objetivo analisar a construção histórica e psicanalítica do conceito de sexualidade humana, com ênfase na sexualidade infantil e em suas implicações para o campo educacional. Trata-se de um estudo de natureza teórica e bibliográfica, fundamentado em contribuições da historiografia da sexualidade, especialmente em Michel Foucault, Georges Duby e Michelle Perrot, articuladas à teoria psicanalítica freudiana. A análise evidencia que a sexualidade não pode ser reduzida a uma função biológica ou reprodutiva, configurando-se como dimensão constitutiva da vida psíquica, historicamente situada e culturalmente mediada. Ao reconhecer a existência da sexualidade infantil e sua centralidade na constituição subjetiva, a psicanálise rompe com concepções moralizantes e biologizantes, oferecendo subsídios para uma compreensão crítica das práticas educativas. Conclui-se que a articulação entre história, psicanálise e educação possibilita enfrentar silenciamentos, preconceitos e normatizações ainda presentes no campo educacional, contribuindo para a construção de abordagens mais reflexivas, inclusivas e comprometidas com o desenvolvimento integral dos sujeitos.
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Referências
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