EDUCAÇÃO NA AMAZÔNIA LEGAL: SABERES E FAZERES DO POVO AKWÊ-XERENTE CONHECIMENTOS MATEMÁTICOS SOCIALMENTE CONSTRUÍDOS
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n4-019Palavras-chave:
Etnomatemática, Saberes Akwê-Xerente, Educação Matemática InterculturalResumo
Este artigo analisa os saberes e fazeres do povo Akwê-Xerente a partir da perspectiva da etnomatemática, compreendendo-os como conhecimentos matemáticos socialmente construídos e articulados às práticas culturais e à vida cotidiana. Parte-se do entendimento de que a matemática não se restringe aos espaços formais de escolarização, mas emerge das experiências vividas, da organização coletiva, da relação com o território e dos processos de transmissão intergeracional do conhecimento. No contexto Akwê-Xerente, o aprender ocorre no fazer, na observação e na convivência, revelando estruturas matemáticas implícitas presentes na organização do espaço, do tempo, dos gestos e das ações comunitárias. A pesquisa, de natureza qualitativa e caráter bibliográfico, fundamenta-se em produções acadêmicas sobre educação indígena, etnomatemática e saberes socioculturais, buscando interpretar como essas matemáticas vividas produzem sentidos e desafiam concepções hegemônicas de conhecimento matemático. Os resultados evidenciam que tais práticas constituem sistemas de saber legítimos, coerentes e funcionais, cuja valorização contribui para o fortalecimento identitário e para a construção de abordagens pedagógicas mais sensíveis à diversidade cultural. Ao dialogar com os saberes Akwê-Xerente, o estudo reforça a etnomatemática como perspectiva teórica e ética capaz de promover uma educação matemática intercultural, comprometida com o reconhecimento da pluralidade epistemológica e com a superação de hierarquias que historicamente marginalizaram os conhecimentos indígenas.
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