ENCEFALITES VIRAIS: PROTOCOLOS DE ESTABILIZAÇÃO E SUPORTE EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Autores

  • Fernando Malachias de Andrade Bergamo Autor
  • Ryan Rafael Barros de Macedo Autor
  • Italo Xavier dos Santos Sales Autor
  • Michael Douglas Cantuária Martins Autor
  • Ryan Torquato Botão Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n3-009

Palavras-chave:

Encefalites Virais, Vírus Herpes Simples 1, Unidades de Terapia Intensiva, Imunomodulação, Ferroptose

Resumo

As encefalites virais (EV) representam emergências neurológicas críticas, com o vírus herpes simples tipo 1 (HSV-1) sendo um patógeno prevalente associado a elevadas taxas de mortalidade e sequelas, apesar da terapia antiviral padrão com aciclovir. A fisiopatologia é complexa e dinâmica, envolvendo dano neuronal direto, vias de morte celular regulada como a ferroptose, e uma resposta imunoinflamatória exacerbada do hospedeiro mediada por receptores Toll-like. A condução em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) requer não apenas o controle da replicação viral, mas também o manejo de complicações secundárias como edema cerebral e a prevenção da lesão neuronal persistente pós-virológica. A revisão bibliográfica narrativa aponta para a insuficiência do aciclovir em prevenir danos estruturais e destaca mecanismos de lesão como a ativação do Fator de Necrose Tumoral (TNF) e a ferroptose induzida pelo vírus. O uso de corticosteroides adjuvantes permanece controverso, sem redução significativa de mortalidade em meta-análise, mas com possível benefício funcional em subgrupos (encefalite por HSV-1). O uso de imunoglobulina intravenosa (IVIg) carece de evidências robustas de ensaios clínicos controlados. Evidencia-se uma tendência a abandonar o modelo terapêutico focado exclusivamente na supressão viral em favor de uma abordagem que contemple a modulação inflamatória, a neuroproteção (como inibidores de ferroptose) e a vigilância para complicações autoimunes pós-infecciosas, como a encefalite anti-NMDAR. Estudos futuros são cruciais para delinear o tempo oportuno e a eficácia de terapias combinadas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

CLEAVER, J. et al. The immunobiology of herpes simplex virus encephalitis and post-viral autoimmunity. Brain, v. 147, n. 4, p. 1130-1148, 2024. DOI: https://doi.org/10.1093/brain/awad419

GERN, O. L. et al. Toll-like Receptors in Viral Encephalitis. Viruses, v. 13, n. 10, p. 2065, 2021. DOI: https://doi.org/10.3390/v13102065

HODZIC, E. et al. Steroids for the treatment of viral encephalitis: a systematic literature review and meta-analysis. Journal of Neurology, v. 270, n. 7, p. 3603-3615, 2023. DOI: https://doi.org/10.1007/s00415-023-11715-0

RYBAK-WOLF, A. et al. Modelling viral encephalitis caused by herpes simplex virus 1 infection in cerebral organoids. Nature Microbiology, v. 8, n. 7, p. 1252-1266, 2023. DOI: https://doi.org/10.1038/s41564-023-01405-y

WAGNER, J.N. et al. Efficacy and safety of intravenous immunoglobulins for the treatment of viral encephalitis: a systematic literature review. J Neurol, v.269, p. 712–724 (2022). DOI: https://doi.org/10.1007/s00415-021-10494-w

WILSON, L. R. et al. Rift Valley Fever Virus Encephalitis: Viral and Host Determinants of Pathogenesis. Annual Review of Virology, v. 11, n. 1, p. 309-325, 2024. DOI: https://doi.org/10.1146/annurev-virology-093022-011544

XU, X. Q. et al. Herpes Simplex Virus 1-Induced Ferroptosis Contributes to Viral Encephalitis. mBio, v. 14, n. 1, p. e02352-22, 2023. DOI: https://doi.org/10.1128/mbio.02370-22

YANG, D. et al. Advances in viral encephalitis: Viral transmission, host immunity, and experimental animal models. Zoological Research, v. 44, n. 3, p. 525-542, 2023.

Downloads

Publicado

2026-03-04

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

BERGAMO, Fernando Malachias de Andrade; DE MACEDO, Ryan Rafael Barros; SALES, Italo Xavier dos Santos; MARTINS, Michael Douglas Cantuária; BOTÃO, Ryan Torquato. ENCEFALITES VIRAIS: PROTOCOLOS DE ESTABILIZAÇÃO E SUPORTE EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 3, p. e12403, 2026. DOI: 10.56238/arev8n3-009. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12403. Acesso em: 9 mar. 2026.