NEURODIVERSIDADE, ESCOLA E RELAÇÕES INTRAFAMILIARES: TDAH E ALTAS HABILIDADES COMO SINGULARIDADES DO NEURODESENVOLVIMENTO QUE DEMANDAM PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS E ARTICULAÇÃO ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA

Autores

  • Carlos Alves Gomes dos Santos Autor
  • Ana Cláudia Afonso Valladares-Torres Autor
  • Lucas Teixeira Dezem Autor
  • Simone Maia Bezerra Autor
  • Telmo Rosa Nogueira Autor
  • Carlos Antônio de Souza Ferreira Júnior Autor
  • Fernanda Menegotto Razzera Autor
  • Grazielle Vital da Silveira Autor
  • Gabriel Vitor Cavalcante Marques Autor
  • Sandra Constâncio Dias da Silva Autor
  • Juliana da Silva Menezes Autor
  • Kátia Ferreira de Souza Autor
  • Larissa Cristina Oliveira de Almeida Autor
  • Michely Castro Neves do Amaral Autor
  • Izabel Pereira de Campos Filha Autor
  • Iago Francisco dos Santos Ferreira Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n3-003

Palavras-chave:

Neurodiversidade, Educação Inclusiva, Relações Intrafamiliares, TDAH e Altas Habilidades

Resumo

O debate contemporâneo sobre educação inclusiva tem avançado significativamente ao reconhecer que as diferenças no neurodesenvolvimento não constituem desvios a serem corrigidos, mas expressões legítimas da diversidade humana. Nesse horizonte, o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e as altas habilidades/superdotação passam a ser compreendidos não apenas como categorias diagnósticas, mas como modos específicos de funcionamento cognitivo, emocional e comportamental que interagem com expectativas escolares, práticas pedagógicas e dinâmicas intrafamiliares. Contudo, apesar dos avanços normativos no campo da inclusão, persistem desafios na construção de estratégias que ultrapassem tanto a medicalização excessiva quanto a romantização das altas habilidades, promovendo, de fato, ambientes educativos responsivos às singularidades do neurodesenvolvimento. Nesse contexto, o presente artigo tem como objeto de análise as práticas pedagógicas inclusivas voltadas a estudantes com TDAH e altas habilidades, bem como os modos de articulação entre escola e família na construção de trajetórias formativas mais igualitárias e dialógicas. A investigação orienta-se pela seguinte pergunta de partida: de que maneira a articulação entre práticas pedagógicas inclusivas e relações intrafamiliares pode contribuir para o reconhecimento, o acolhimento e o desenvolvimento pleno de estudantes com TDAH e altas habilidades, evitando processos de estigmatização, invisibilização ou inadequação escolar? Teoricamente, foram utilizados os trabalhos de Bronfenbrenner (1981; 2004), Vygotsky (1991; 1997; 2001), Mantoan (2003; 2010), Conrad (1992; 2006), Rose (1999; 2013), Singer (2016), Armstrong (2011; 2012; 2017), Gardner (2000; 2006; 2011), Hacking (1998; 1999), Dabrowski (1967), Silverman (2012), Renzulli e Reis (2016), Webb, Gore e Amend (2007), Florian (2013), Black-Hawkins, Florian e Rouse (2007), Mitchell (2007), Barkley (2005; 2012), Brown (2013; 2017), Goldstein, Naglieri e Princiotta (2014), Sparrow e Erhardt (2014), Hallowell e Ratey (2005; 2011; 2013; 2021), Parker (2001), Greene (2005; 2014; 2016), Epstein (2018), Goleman (2006), Faber e Mazlish (1999). A pesquisa é de cunho qualitativo (Minayo, 2007), descritiva e bibliográfica (Gil, 2008) e como viés analítico compreensivo (Weber, 1949). Os achados evidenciam que a articulação dialógica entre práticas pedagógicas inclusivas e relações intrafamiliares favorece o reconhecimento das singularidades do neurodesenvolvimento, fortalece a autoestima e promove autonomia progressiva em estudantes com TDAH e altas habilidades. Constatou-se que a superação de rótulos, o alinhamento de expectativas entre escola e família e a construção de redes de apoio interdisciplinares são elementos decisivos para evitar processos de estigmatização e inadequação escolar. A inclusão, nesse contexto, consolida-se como prática de justiça social, sustentada por corresponsabilidade, linguagem acolhedora e estratégias pedagógicas flexíveis.

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Publicado

2026-03-03

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

DOS SANTOS, Carlos Alves Gomes et al. NEURODIVERSIDADE, ESCOLA E RELAÇÕES INTRAFAMILIARES: TDAH E ALTAS HABILIDADES COMO SINGULARIDADES DO NEURODESENVOLVIMENTO QUE DEMANDAM PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS E ARTICULAÇÃO ENTRE ESCOLA E FAMÍLIA. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 3, p. e12393, 2026. DOI: 10.56238/arev8n3-003. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12393. Acesso em: 9 mar. 2026.