ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA EM ESPAÇOS NÃO FORMAIS AMAZÔNICOS
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n2-014Palavras-chave:
Ensino de Matemática, Ensino de Ciências, Saberes Tradicionais, Casa de Farinha, Espaços Não FormaisResumo
Este artigo apresenta uma reflexão teórico-conceitual sobre as potencialidades do ensino de Matemática e de Ciências em espaços não formais amazônicos, a partir de observações realizadas em comunidades ribeirinhas do município de Nhamundá, no estado do Amazonas. O objetivo consiste em compreender os ambientes amazônicos na relação entre sociedade humana e natureza, considerando a casa de farinha como espaço educativo de produção de saberes tradicionais. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de natureza teórico-reflexiva, fundamentada em revisão de literatura e em vivências formativas registradas em caderno de campo, utilizadas como subsídio para a análise conceitual, sem caráter de coleta sistemática de dados. Os resultados evidenciam que os espaços e instrumentos presentes na casa de farinha mobilizam conhecimentos matemáticos e científicos relacionados a sistemas de medida, organização espacial, força, pressão e transformação da matéria, revelando a riqueza educativa do cotidiano amazônico. Conclui-se que os saberes tradicionais, materializados nas práticas diárias das comunidades ribeirinhas, apresentam significativo potencial para subsidiar estratégias pedagógicas contextualizadas, contribuindo para uma educação científica crítica e significativa em espaços não formais.
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