PREVALÊNCIA DE PATOLOGIAS UTERINAS BENIGNAS E CORRELAÇÃO ENTRE PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E ACHADOS ULTRASSONOGRÁFICOS EM MULHERES COM SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL EM UM HOSPITAL PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-100Palavras-chave:
Adenomiose, Leiomiomatose, Ultrassonografia, Diagnóstico por Imagem, Sangramento UterinoResumo
Objetivos: Sendo o sangramento uterino anormal (SUA) uma das queixas ginecológicas mais frequentes que motivam consultas das mulheres em idade reprodutiva, o escopo deste estudo baseou-se em estimar a prevalência de leiomiomas, pólipos endometriais e adenomiose em mulheres no menacme com sangramento uterino anormal submetidas à ultrassonografia transvaginal em um hospital público do Distrito Federal, correlacionando o perfil epidemiológico das pacientes e os achados ultrassonográficos. Métodos: Trata-se de estudo observacional, descritivo e retrospectivo. Realizado na Unidade de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Regional de Taguatinga, utilizando os dados armazenados em prontuários eletrônicos via sistema TrakCare, das pacientes atendidas na Sala de Ecografia no período de janeiro de 2022 a dezembro de 2024. Os dados coletados foram tabulados no Microsoft Excel Office 365, organizados em planilhas eletrônicas para análise descritiva. As variáveis analisadas (idade, paridade, IMC, raça e comorbidades associadas.) foram apresentadas em frequências absolutas e relativas, bem como médias e porcentagem das mesmas. A composição final da amostra para análise foi de 233 pacientes. Sendo: pólipos endometriais - 71 pacientes, leiomiomatose uterina - 152 pacientes e adenomiose - 30 pacientes. Resultados: Após análise minuciosa dos dados, pode-se então concluir que essas patologias são comuns em mulheres no final da menacme ou no início do climatério, com todos os grupos apresentando uma prevalência altíssima de multiparidade, sendo fator de risco para pólipos e adenomiose. Foi reforçada a associação dessas patologias com o hiperestrogenismo, já que mais de 70% das pacientes com pólipos e adenomiose apresentavam IMC elevado. Foi vista uma alta prevalência de pacientes negras e pardas e semelhante em todos os três grupos de patologias. Dentre as pacientes analisadas, grande parte possuía Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus, como também Câncer de Mama, trazendo como discussão o uso de tamoxifeno e seu efeito proliferativo endometrial. Os achados ultrassonográficos mais comumente descritos e associados à leiomiomatose uterina foram a heterogeneidade miometrial devido a presença de imagem sólida, hipoecogênica, bem delimitada e regular, de forma única ou múltipla. Já a adenomiose foi descrita comumente como áreas de indiferenciação da zona juncional associadas ou não a presença de cistos miometriais; outro achado comumente descrito foi a assimetria entre parede uterina anterior e posterior, com alteração da ecogenicidade focal. Por fim, os pólipos endometriais foram descritos como frequentemente associados ao espessamento endometrial, com ou sem fluxo ao estudo Doppler. Conclusão: É inquestionável a alta prevalência das patologias uterinas benignas nas mulheres em idade reprodutiva. Este estudo reforça a importância dessas condições, consolidando o perfil clínico-epidemiológico das pacientes portadoras. Os métodos de imagem estudados – USG-TV possuem achados altamente sugestivos dessas patologias e vem passando por aprimoramento constante, solidificando a USG TV como primeira modalidade diagnóstica preferencial das patologias descritas.
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