HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM ANGOLA: POLÍTICAS, EXCLUSÃO E DOMINAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL (1870–1974)
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev7n12-311Palavras-chave:
Educação Colonial, Angola, Estado Novo, Dominação Social, Educação Técnica, Resistência AfricanaResumo
O presente estudo analisa a história da educação em Angola no período colonial (1870–1974), com ênfase nas políticas educacionais do Estado colonial, na educação técnica como instrumento de dominação e exploração da mão de obra africana e nos processos de exclusão social, bem como nas formas de resistência desenvolvidas pelas comunidades africanas. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica e documental, fundamentada na análise de decretos coloniais, estatutos educativos, relatórios administrativos, registos escolares e literatura acadêmica especializada sobre o período. O estudo investiga a articulação entre a escolarização formal e técnica, a evangelização e a formação de mão de obra subalterna, evidenciando o papel da educação no projeto colonial português. Os resultados indicam que o sistema educativo colonial esteve orientado para a formação de trabalhadores disciplinados e funcionalmente integrados às necessidades do colonialismo, contribuindo para a reprodução das desigualdades raciais, sociais e para a subalternização da população africana. Paralelamente, identificam-se estratégias locais de resistência e de preservação cultural que tensionaram as práticas educativas coloniais. O estudo contribui para uma compreensão crítica da educação colonial em Angola, destacando os mecanismos de dominação e as dinâmicas de resistência.
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