TRATAMENTO DE FRATURAS DE OSSOS LONGOS EM CRIANÇAS: TRATAMENTO CIRÚRGICO VERSUS CONSERVADOR E DESFECHOS FUNCIONAIS — UMA REVISÃO SISTEMÁTICA

Autores

  • Tiago Andrade Hage Fialho Author
  • Giulia Pignato Wiltemburg Alves Author
  • João Victor Cardoso Casarin Author
  • Julia Valladares Dominguez Author
  • Gustavo Suzuki Ruzzo Author
  • Fillipo Leite Santos Author
  • Adilson Fernando Vicente Author
  • Matheus Pignato Wiltemburg Alves Author
  • Eduardo Puzziello Abduny Jaruche Author
  • Maria Eduarda Dorneles Ferraz Author

DOI:

https://doi.org/10.56238/levv17n58-007

Palavras-chave:

Fraturas Pediátricas, Fraturas de Ossos Longos, Tratamento Conservador, Tratamento Cirúrgico

Resumo

Introdução: As fraturas de ossos longos em crianças representam uma parcela significativa dos traumas pediátricos e permanecem fonte de controvérsia terapêutica devido à imaturidade esquelética, ao elevado potencial de remodelação óssea e às particularidades relacionadas às placas de crescimento. Embora o manejo conservador tenha sido historicamente preferido, avanços recentes nas técnicas cirúrgicas e nos implantes levaram ao aumento das taxas de tratamento operatório em padrões específicos de fratura. Os benefícios relativos entre o tratamento cirúrgico e o não operatório em diferentes localizações anatômicas e faixas etárias ainda não estão completamente definidos.

 Objetivo: Comparar as modalidades de tratamento cirúrgico e conservador para fraturas de ossos longos em pacientes pediátricos quanto aos desfechos funcionais, taxas de complicações, tempo para consolidação óssea e necessidade de intervenções secundárias, além de avaliar variações conforme o sítio anatômico, faixa etária e características da fratura.

 

Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática de acordo com as diretrizes PRISMA. Bases de dados eletrônicas, incluindo PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library, LILACS, ClinicalTrials.gov e a International Clinical Trials Registry Platform, foram pesquisadas para estudos comparativos publicados nos últimos cinco anos, com extensão para dez anos quando necessário. Ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte comparativos que avaliaram o manejo operatório versus não operatório de fraturas de ossos longos em crianças e adolescentes foram incluídos. O risco de viés foi avaliado por meio das ferramentas RoB 2 e ROBINS-I, e o nível de evidência foi analisado utilizando o sistema GRADE.

 Resultados e Discussão: Vinte estudos comparativos foram incluídos, abrangendo fraturas do fêmur, tíbia, úmero e antebraço. O tratamento cirúrgico esteve associado a menores taxas de redislocamento e mobilização mais precoce em padrões instáveis selecionados, especialmente em fraturas diafisárias do fêmur e da tíbia em crianças mais velhas e adolescentes. Entretanto, os desfechos funcionais em longo prazo foram frequentemente semelhantes entre as abordagens operatória e conservadora quando o alinhamento aceitável foi alcançado e mantido. O manejo conservador permaneceu altamente eficaz em crianças mais jovens e em fraturas estáveis, desde que técnicas adequadas de imobilização e acompanhamento radiográfico fossem asseguradas. A heterogeneidade nos delineamentos dos estudos, nas medidas de desfecho e nos sistemas de classificação das fraturas limitou a síntese quantitativa direta, sendo a maior parte das evidências proveniente de coortes observacionais.

 Conclusão: Tanto as estratégias cirúrgicas quanto as conservadoras podem alcançar consolidação satisfatória e recuperação funcional adequada nas fraturas de ossos longos pediátricas quando corretamente indicadas. As decisões terapêuticas devem ser individualizadas conforme a estabilidade da fratura, localização anatômica, idade do paciente, potencial de remodelação e capacidade de seguimento clínico. Estudos randomizados de alta qualidade e padronização dos desfechos funcionais são necessários para aprimorar algoritmos terapêuticos baseados em evidências.

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Publicado

2026-03-04

Como Citar

FIALHO, Tiago Andrade Hage et al. TRATAMENTO DE FRATURAS DE OSSOS LONGOS EM CRIANÇAS: TRATAMENTO CIRÚRGICO VERSUS CONSERVADOR E DESFECHOS FUNCIONAIS — UMA REVISÃO SISTEMÁTICA. LUMEN ET VIRTUS, [S. l.], v. 17, n. 58, p. e12398, 2026. DOI: 10.56238/levv17n58-007. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/LEV/article/view/12398. Acesso em: 9 mar. 2026.