ESCOLA DE TEMPO INTEGRAL RURAL: ENFRENTANDO BARREIRAS PARA A QUALIDADE EDUCACIONAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/edimpacto2024.002-118Palavras-chave:
Educação Rural, Escola de Tempo Integral, Políticas Públicas, Currículo Contextualizado, Equidade EducacionalResumo
Este artigo tem como objetivo analisar os principais desafios enfrentados na implementação da escola de tempo integral em áreas rurais do Brasil, considerando os aspectos estruturais, pedagógicos, logísticos e políticos que impactam sua efetivação. A pesquisa é de natureza qualitativa, com abordagem exploratória e fundamentação bibliográfica, baseada em autores e estudos recentes que discutem a educação do campo e as políticas públicas voltadas à jornada ampliada. Os resultados evidenciam que a proposta de tempo integral, embora potencialmente benéfica para o desenvolvimento integral dos estudantes, encontra sérios obstáculos quando transposta para o contexto rural. Entre os entraves identificados estão a precariedade da infraestrutura escolar, as dificuldades de transporte e alimentação, a falta de formação docente específica, o descompasso curricular com a realidade local e a baixa participação da comunidade na gestão educacional. Além disso, a ausência de políticas públicas direcionadas ao campo acentua as desigualdades históricas e compromete a eficácia da escola de tempo integral nas zonas rurais. A discussão aponta que a simples ampliação do tempo escolar não garante melhores condições de aprendizagem, especialmente quando desconsidera a diversidade territorial e cultural das comunidades rurais. Experiências exitosas indicam que modelos contextualizados, construídos com participação local e apoio intersetorial, podem promover maior inclusão, permanência e qualidade educacional. A escola de tempo integral no campo, para ser efetiva, precisa ser parte de um projeto político-pedagógico comprometido com a equidade e com o fortalecimento dos vínculos entre educação, território e identidade. Conclui-se que enfrentar os desafios da escola de tempo integral rural requer investimento público contínuo, valorização profissional, escuta das comunidades e construção de políticas educacionais sensíveis às realidades do campo.