COLETA E EXTRAÇÃO DO ÓLEO DE ANDIROBA (CARAPA GUIANENSIS) NA VILA DE FORTALEZINHA (MARACANÃ, PARÁ): PRÁTICA DAS EXTRATORAS RIBEIRINHAS E CONHECIMENTO POPULAR
Palavras-chave:
Andiroba, Extração Artesanal do Óleo, Populações Ribeirinhas, AmazôniaResumo
A andiroba (Carapa guianensis Aubl.) é uma espécie nativa da Amazônia, da família Meliaceae, de ocorrência na América Latina, em toda a Bacia Amazônica, na África e ao sul do Saara, desenvolve-se principalmente nas áreas de várzeas, faixas alagáveis e em terra firme. Estudos demostram que o óleo da semente de andiroba apresenta peculiaridades de grande potencial terapêutico, sendo um dos produtos medicinais mais vendidos na Amazônia e amplamente utilizado pelas populações tradicionais. Neste estudo foi registrado e descrito, no período de junho a setembro de 2024, o processo de extração artesanal do óleo de andiroba e as técnicas utilizadas por ribeirinhos na vila de Fortalezinha, Maracanã, Pará. Foi realizada entrevista, utilizando registro audiovisual, com quatro coletoras e extratoras que relataram como realizam o processo, a finalidade e a importância de manter esta prática tradicional. O processo utilizado para a extração do óleo incluiu a coleta das castanhas, cozimento, extração da massa e extração do óleo, com duração total de aproximadamente 50 dias. Constatou-se similaridade nos discursos acerca das etapas e a destinação do óleo. De acordo com as extratoras, o quantitativo de óleo e sementes no ano da pesquisa foi inferior aos anos anteriores, o que gerou preocupação, episódio que pode estar diretamente relacionado às mudanças climáticas. O acompanhamento e os registros sistemáticos das práticas tradicionais é de suma importância, não apenas para manter vivo este saber, mas como indicador relevante de mudanças ambientais observadas pela comunidade que tem uma relação próxima com a natureza.