SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ: ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS
Palavras-chave:
Síndrome de Guillain-Barré, Imunoterapia, Prognóstico, Reabilitação, Biomarcadores, Sistema ComplementoResumo
A síndrome de Guillain-Barré (SGB) é uma polirradiculoneuropatia aguda imunomediada e a principal causa de paralisia neuromuscular adquirida em adultos, com incidência baixa, porém impacto expressivo em morbidade, mortalidade e incapacidade funcional. Esta revisão narrativa, baseada em diretrizes internacionais recentes e em estudos de alto impacto, discute de forma integrada estratégias terapêuticas agudas, estratificação prognóstica, reabilitação e terapias emergentes. No tratamento agudo, imunoglobulina intravenosa (IVIg) e plasmaférese (PLEX) apresentam eficácia globalmente equivalente em acelerar a recuperação funcional quando utilizadas dentro da janela terapêutica, enquanto o uso isolado de corticosteroides e a repetição rotineira de um segundo curso de IVIg não são recomendados. A estratificação de risco por meio de escores validados, como EGRIS/EGBS, EGOS e mEGOS, permite estimar a probabilidade de ventilação mecânica e deambulação independente, devendo ser utilizada de forma complementar ao julgamento clínico. Na fase subaguda e crônica, a reabilitação supervisionada e multidisciplinar assume papel central, com destaque para a redução da fadiga, melhora da força e da qualidade de vida, em comparação a programas domiciliares não supervisionados. No campo das terapias moleculares, despontam inibidores do complemento, em especial o bloqueio de C1q, e agentes dirigidos ao FcRn, ainda em fase de investigação. Paralelamente, a cadeia leve de neurofilamento (NfL) emerge como importante biomarcador de dano axonal e de prognóstico funcional. Em conjunto, esses avanços apontam para um futuro de manejo mais personalizado da SGB, sem afastar a necessidade de aplicação rigorosa das evidências já consolidadas.