A DANÇA AFRO-BRASILEIRA COMO PRÁTICA PEDAGÓGICA ANTIRRACISTA NAS AULAS DE ARTE
Palavras-chave:
Dança Afro-brasileira, Arte/Educação, Educação das Relações Étnico-raciais, Antirracismo, Cultura Afro-diaspóricaResumo
O presente artigo analisa as contribuições da dança afro-brasileira no ensino de Arte, considerando sua relevância estética, histórica e pedagógica para a implementação da Lei nº 10.639/2003 e para a promoção de práticas educativas antirracistas. A partir de uma pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, discute-se como a dança afro-brasileira, ancorada em princípios de ancestralidade, corporeidade, musicalidade e criação coletiva, constitui uma linguagem essencial para o reconhecimento das matrizes africanas na formação cultural do Brasil. A análise dos fundamentos históricos revela a importância de artistas como Eros Volúsia, Felícitas Barreto e, especialmente, Mercedes Baptista, cuja atuação consolidou a identidade negra na dança brasileira e inaugurou um método de ensino comprometido com a valorização da estética afro-diaspórica. No campo da Arte/Educação, a dança afro-brasileira se apresenta como ferramenta pedagógica capaz de fortalecer a autoestima de estudantes negros, ampliar repertórios sensíveis, desenvolver consciência histórica e promover o enfrentamento ao racismo no ambiente escolar. Assim, o estudo evidencia que o ensino de danças afro-brasileiras nas aulas de Arte contribui para democratizar o acesso à cultura, diversificar referências estéticas, reconhecer memórias ancestrais e construir práticas educativas comprometidas com a justiça racial.