CÉLULAS NK UTERINAS E PERIFÉRICAS NO ABORTO EXPONTÂNEO RECORRENTE: REVISÃO SISTEMÁTICA QUALITATIVA DE MECANISMOS BIOMARCADORES (KIR/HLA-C) E TERAPIAS IMUNOMODULADORAS (2010-2025)
Palavras-chave:
Aborto Recorrente, Células NK, KIR, HLA-C, ImunoterapiaResumo
Objetivo: Sintetizar criticamente a evidência (2010–2025) sobre o papel das células Natural Killer (NK) uterinas (uNK) e periféricas (pNK) no aborto espontâneo recorrente (AER), abordando biologia das uNK, interações genéticas KIR/HLA-C, desempenho clínico dos testes de NK e efeitos de terapias imunomoduladoras (imunoglobulina intravenosa, corticoides e emulsão lipídica). Métodos: Revisão sistemática conduzida conforme o PRISMA-2020, com busca nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Web of Science e Scopus (01/2010–10/2025). Incluíram-se estudos humanos observacionais, ensaios clínicos e revisões sistemáticas que avaliaram uNK/pNK, KIR/HLA-C, desfechos reprodutivos (nascidos vivos, recorrência de perdas, pré-eclâmpsia) ou terapias direcionadas à via NK. O risco de viés foi avaliado por RoB-2 e Newcastle–Ottawa, com síntese qualitativa narrativa. Resultados: As evidências indicam que as uNK exercem função essencial na remodelação das artérias espiraladas e na tolerância materno-fetal. Associações genéticas KIR/HLA-C — especialmente o genótipo materno KIR AA combinado ao alelo fetal HLA-C2 — foram relatadas em múltiplas coortes, embora com heterogeneidade. Testes clínicos de NK (quantificação ou atividade) ainda carecem de padronização e não têm valor diagnóstico estabelecido segundo as diretrizes ESHRE 2022/2023. Intervenções imunomoduladoras, como a imunoglobulina intravenosa, demonstraram benefício em subgrupos (redução da citotoxicidade NK e maior taxa de nascidos vivos), mas a evidência permanece limitada e requer ensaios clínicos robustos; estudos com prednisolona estão em andamento. Conclusões: As células NK uterinas e periféricas são componentes centrais da imunologia reprodutiva. A via KIR/HLA-C pode modular o risco em subgrupos, mas há necessidade de padronização metodológica e fenotípica. Testes de NK não são recomendados rotineiramente em AER, e as terapias imunomoduladoras permanecem experimentais fora de protocolos específicos. São urgentes estudos multicêntricos randomizados para definição de biomarcadores e validação terapêutica.