EDUCAÇÃO DECOLONIAL E SABERES TERRITORIAIS: UMA EXPERIÊNCIA INTERCULTURAL CRÍTICA ENTRE O IFAP CAMPUS OIAPOQUE COM A COMUNIDADE INDÍGENA E QUILOMBOLA LOCAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n5-050Palavras-chave:
Interculturalidade Crítica, Decolonialidade, Currículo Escolar, Saberes Tradicionais, Semana Nacional de Ciência e TecnologiaResumo
Partindo da experiência de realização da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) de 2025 no IFAP Campus Oiapoque – evento construído em parceria com as escolas indígenas Jorge Iaparrá e Maria Flor dos Santos, bem como com a Associação Quilombola Kulumbu do Patuazinho –, este artigo problematiza as relações de poder epistêmico que atravessam o currículo escolar e propõe a interculturalidade crítica como horizonte para uma educação decolonial. Argumentamos que o currículo não é uma simples lista de conteúdos, mas um campo de forças simbólicas em permanente disputa, no qual se define quais conhecimentos são legítimos e quais são silenciados. A inclusão de saberes indígenas, quilombolas e ribeirinhos não se reduz a uma questão de representatividade cultural; trata-se, antes, de uma exigência de justiça cognitiva. O artigo analisa o caso exitoso da SNCT 2025, mostrando como atividades educativas podem ressignificar o currículo ao promover o diálogo entre diferentes racionalidades – para além da lógica técnica e mercantil –, superando barreiras históricas de valorização desses saberes no contexto escolar. A pesquisa, de abordagem qualitativa, descritiva e bibliográfica, fundamenta-se em autores como Bispo dos Santos, Brandão, Capra, Freire, Leff, Meneses, Walsh, entre outros. Concluímos que a experiência representa um modelo possível de construção de uma educação crítica, intercultural e decolonial, ao articular escola, território e ancestralidade.
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