GEOGRAFIA DE UMA CRISE: FLUXOS MIGRATÓRIOS VENEZUELANOS E A PRESSÃO SOBRE A REDE DE SAÚDE EM RORAIMA
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n4-005Palavras-chave:
Migração Humana, Venezuela, Saúde de Migrantes, Sistema de SaúdeResumo
A intensificação da migração venezuelana para Roraima provocou mudanças demográficas rápidas, gerando pressão significativa sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) em um contexto já marcado por limitações estruturais. O objetivo consiste em analisar os impactos da migração venezuelana sobre a organização e o funcionamento da rede de serviços de saúde no estado de Roraima, considerando os diferentes níveis de atenção e suas inter-relações. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, realizada a partir de buscas em bases de dados como SciELO, PubMed, Bireme, Latindex e Google Acadêmico. Foram selecionadas publicações (artigos, dissertações e teses) produzidas entre 2016 e 2026, em língua portuguesa e no contexto brasileiro. Utilizaram-se descritores em saúde relacionados à migração e aos serviços de saúde. A análise foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, permitindo a síntese crítica das evidências, considerando o contexto social, político e territorial da região Norte, especialmente de Roraima. De acordo com as evidências, A atenção primária à saúde foi o nível mais impactado, com sobrecarga dos serviços e comprometimento de ações preventivas e contínuas. Essa pressão gerou transbordamento para a atenção secundária e terciária, evidenciado pelo aumento de atendimentos de urgência, internações e demanda por serviços especializados. Observam-se, ainda, fragilidades na capacidade instalada, desigualdades territoriais e barreiras de acesso, que contribuem para o agravamento das condições de saúde e sobrecarga de toda a rede. Logo, verificou-se que a migração evidenciou e agravou as fragilidades já existentes no sistema de saúde, tornando necessário um planejamento abrangente, aprimoramento da atenção primária, expansão da capacidade de enfermagem e o desenvolvimento de políticas públicas para garantir um atendimento equitativo e contínuo nas áreas de fronteira.
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