PODE UM MENINO NEGRO SER UM INTELECTUAL?
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n3-095Palavras-chave:
Meninos Negros, Intelectualidade, Infâncias Negras, Estudos de Gênero e Raça, Apagamento AcadêmicoResumo
Este artigo questiona a distância entre a ideia de um intelectual em seu conceito original e um menino negro, analisando o apagamento histórico das infâncias negras masculinas nos estudos do século 20 e no contexto brasileiro contemporâneo. Examina definições tradicionais do que significa ser um intelectual (Sirinelli, 2003; Gomes; Hansen, 2016), desigualdades laborais e de violência (IBGE, 2023; Sena; Jovino, 2021), e as representações masculinas a partir de diferentes produções feministas negras (hooks, 2022; Hudson-Weems, 2020). Destaca ainda a escassez de teses sobre "meninos negros" no Catálogo CAPES (2024) em comparação a "meninas negras", revelando sobreposições e má catalogação de dados. Conclui pela dupla exclusão – racial e infantil – demandando pesquisas e políticas para além da sobrevivência.
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