SEXUALIDADE E SOFRIMENTO PSÍQUICO DE MULHERES: UM OLHAR A PARTIR DOS ARQUÉTIPOS FEMININOS NAS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS

Autores

  • Laryssa Ramos da Rocha Autor
  • José Henrique Monteiro da Fonseca Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n2-093

Palavras-chave:

Sexualidade Feminina, Sofrimento Psíquico, Umbanda, Arquétipos, Espiritualidade Afro-Brasileira

Resumo

Este trabalho, fruto de um Projeto de Trabalho de Término de Curso o qual buscou compreender as conexões entre sexualidade, espiritualidade e a psique feminina, examinando as experiências de mulheres em religiões de matriz africana, particularmente na Umbanda. De um ponto de vista psicológico plural e decolonial, visou-se explorar arquétipos femininos representados por divindades (Orixás femininas) e entidades, através de pontos riscados e cantados, e nas práticas mediúnicas que são engajadas para reconceituar o prazer, o corpo e o sofrimento. A pesquisa fundamentou-se em uma abordagem qualitativa e uma inclinação metodológica para a Cartografia de Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995). Os diálogos bibliográficos se deram entre autoras e autores como Carl Gustav Jung, Nise da Silveira, Neusa Santos Souza, Lélia Gonzalez, Sueli Carneiro e Audre Lorde. Foram utilizados enquanto materiais de análise, relatos de mulheres que frequentam terreiros de Umbanda, além de reflexões e observações vivenciais da pesquisadora enquanto médium e mulher inserida neste meio. Esta jornada cartográfica reconhece que a Umbanda se configura como um território simbólico e psíquico de cura e reconstrução identitária, no qual o corpo e o prazer são integrados à dimensão espiritual. Orixás femininas como Iemanjá, Iansã, Oxum, Vovó Maria Conga, Cabocla Jurema, Cigana do Oriente, Maria Bonita e, especialmente, Pombagira Cigana emergem como imagens arquetípicas de acolhimento, liberdade e transformação, permitindo que o sofrimento seja ressignificado e o desejo seja compreendido como poder vital e criativo. Portanto, a espiritualidade afro-brasileira oferece caminhos terapêuticos e simbólicos de elaboração psíquica, promovendo a reconexão das mulheres com seus corpos, sua ancestralidade e seu poder espiritual. A Umbanda se manifesta não apenas como uma religião, mas como um espaço de resistência, individuação e cura do feminino.

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Publicado

2026-02-20

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

DA ROCHA, Laryssa Ramos; DA FONSECA, José Henrique Monteiro. SEXUALIDADE E SOFRIMENTO PSÍQUICO DE MULHERES: UM OLHAR A PARTIR DOS ARQUÉTIPOS FEMININOS NAS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 2, p. e12251, 2026. DOI: 10.56238/arev8n2-093. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12251. Acesso em: 23 fev. 2026.