PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE MULHERES JOVENS COM DIAGNÓSTICO DE CÂNCER DE MAMA ATENDIDAS EM SERVIÇO DE MASTOLOGIA DO DISTRITO FEDERAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n2-090Palavras-chave:
Câncer de Mama, Mulheres Jovens, Políticas Públicas de Saúde, RastreamentoResumo
O câncer de mama permanece como um dos principais desafios da saúde pública no Brasil, especialmente diante das controvérsias relacionadas à idade de início do rastreamento mamográfico. Embora as diretrizes do Sistema Único de Saúde recomendem o rastreamento populacional apenas a partir dos 50 anos, evidências epidemiológicas recentes apontam para uma incidência significativa da doença em mulheres mais jovens. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo analisar o perfil epidemiológico, clínico e diagnóstico de mulheres com câncer de mama atendidas em um serviço público de mastologia de referência no Distrito Federal, com ênfase na população com menos de 50 anos, contribuindo para o debate sobre a antecipação do rastreamento para os 40 anos. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, transversal e descritivo, baseado na revisão de prontuários médicos de pacientes atendidas no ambulatório de mastologia do Hospital Regional de Taguatinga entre janeiro e dezembro de 2024. Foram identificados 171 casos de câncer de mama em mulheres com idade inferior a 50 anos, com predominância na faixa etária de 40 a 49 anos. Observou- se elevada proporção de diagnósticos em estágios avançados, alta frequência de comprometimento linfonodal e predominância de subtipos tumorais biologicamente agressivos, resultando em abordagens terapêuticas mais invasivas. Conclui-se que os achados evidenciam uma lacuna entre a política de rastreamento vigente e a realidade epidemiológica observada, reforçando a necessidade de revisão crítica das diretrizes nacionais e da implementação de estratégias organizadas de detecção precoce a partir dos 40 anos.
Downloads
Referências
[1] INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA). Estimativa 2023: incidência do Câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2022. Disponível em: <https://www.gov.br/inca/pt- br/assuntos/cancer/numeros/estimativa>. Acesso em: 28 jan. 2026.
[2] AMERICAN CANCER SOCIETY. Cancer Facts & Figures 2024. Atlanta: American Cancer Society, 2024. Disponível em: <https://www.cancer.org/research/cancer-facts-statistics/all-cancer-facts-figures/2024-cancer- facts-figures.html>. Acesso em: 28 jan. 2026.
[3] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Nota Técnica nº 626/2025- CGPADI/DAPES/SAS/MS. Assunto: Rastreamento do câncer de mama no Brasil. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025.
[4] SOCIEDADE BRASILEIRA DE MASTOLOGIA (SBM). Recomendações da Sociedade Brasileira de Mastologia para o Rastreamento do Câncer de Mama. São Paulo: SBM, 2023. Disponível em: <https://sbmastologia.com.br/para-o-medico/ministerio-da-saude-amplia-acesso-a-mamografia-a-partir-dos- 40-anos/>. Acesso em: 28 jan. 2026.
[5] BRASIL. Lei nº 11.664, de 29 de abril de 2008. Dispõe sobre a efetivação de ações de saúde que assegurem a prevenção, a detecção, o tratamento e o seguimento dos cânceres do colo uterino e de mama, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 30 abr. 2008.
[6] COLÉGIO BRASILEIRO DE RADIOLOGIA E DIAGNÓSTICO POR IMAGEM (CBR). Recomendações do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem para o Rastreamento do Câncer de Mama. São Paulo: CBR, 2023. Disponível em: <https://cbr.org.br/wp-content/uploads/2023/09/Recomendacoes-do- Colegio.pdf>. Acesso em: 28 jan. 2026.
[7] DUFFY, S. W. et al. Annual mammographic screening to reduce breast cancer mortality in women from age 40: a cluster-randomized trial. The Lancet Oncology, v. 21, n. 11, p. 1453-1461, 2020. DOI: https://doi.org/10.1016/S1470-2045(20)30398-3
[8] SUNG, H. et al. Global Cancer Statistics 2020: GLOBOCAN Estimates of Incidence and Mortality Worldwide for 36 Cancers in 185 Countries. CA: A Cancer Journal for Clinicians, v. 71, n. 3, p. 209-249, 2021. DOI: https://doi.org/10.3322/caac.21660
[9] INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA). Controle do câncer de mama no Brasil: dados e números 2024. Rio de Janeiro: INCA, 2024. Disponível em:<https://ninho.inca.gov.br/jspui/bitstream/123456789/17002/1/Controle%20do%20c%C3%A2ncer%20de%2 0mamano%20Brasil%20-%20dados%20e%20n%C3%BAmeros%202024.pdf>. Acesso em: 28 jan. 2026.
[10] CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Breast Cancer Among Women Younger Than 45. Atlanta: CDC, 2025. Disponível em: <https://www.cdc.gov/united-states-cancer- statistics/publications/breast-cancer-among-young-women.html>. Acesso em: 28 jan. 2026.
[11] PEROU, C. M. et al. Molecular portraits of human breast tumours. Nature, v. 406, n. 6797, p. 747-752, 2000. DOI: https://doi.org/10.1038/35021093
[12] DOLLE, J. M. et al. Risk factors for triple-negative breast cancer in women under the age of 45 years. Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, v. 18, n. 4, p. 1157-1166, 2009. DOI: https://doi.org/10.1158/1055-9965.EPI-08-1005
[13] AZIM, H. A. Jr.; PARTRIDGE, A. H. Biology of breast cancer in young women. Breast Cancer Research, v. 16, n. 4, p. 427, 2014. DOI: https://doi.org/10.1186/s13058-014-0427-5
[14] BROEDERS, M. et al. The impact of mammographic screening on breast cancer mortality in Europe: a review of observational studies. Journal of Medical Screening, v. 19, n. 1_suppl, p. 14-25, 2012. DOI: https://doi.org/10.1258/jms.2012.012078
[15] US PREVENTIVE SERVICES TASK FORCE (USPSTF). Screening for Breast Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA, v. 331, n. 22, p. 1918-1930, 2024. Disponível em: <https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2818283>. Acesso em: 28 jan. 2026. DOI: https://doi.org/10.1001/jama.2024.5534
[16] ANDERS, C. K.; JOHNSON, R.; LEREBOURS, F.; CAREY, L. A. The role of race in the clinical behavior of triple-negative breast cancer. Seminars in Oncology, v. 38, n. 2, p. 278-287, 2011.
[17] GRIMM, L. J. et al. Benefits and risks of mammography screening in women ages 40 to 49 years. Journal of Primary Care & Community Health, v. 13, 2022. DOI: https://doi.org/10.1177/21501327211058322
[18] THIAGO, L. S. et al. Diretrizes para detecção precoce do câncer de mama no Brasil. II - Novas recomendações nacionais, principais evidências e controvérsias. Cadernos de Saúde Pública, v. 34, n. 6, e00074817, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311x00074817
[19] BREAST CANCER RESEARCH FOUNDATION (BCRF). Facts About Breast Cancer in Young Women. New York: BCRF, [s.d.]. Disponível em: <https://www.bcrf.org/about-breast-cancer/breast-cancer-young- women/>. Acesso em: 28 jan. 2026.
[20] FEMAMA. Entenda o que é o câncer de mama triplo-negativo. Porto Alegre: FEMAMA, 2021. Disponível em: <https://femama.org.br/site/noticias-recentes/entenda-o-que-e-o-cancer-de-mama-triplo-negativo/>. Acesso em: 28 jan. 2026.