LEPTOSPIROSE CANINA EM ÁREAS URBANAS BRASILEIRAS: EVIDÊNCIAS SOBRE TENDÊNCIA TEMPORAL, DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E DETERMINANTES SOCIOAMBIENTAIS (2015–2024)
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-159Palavras-chave:
Análise Espacial, One Health, Saúde Animal, Vigilância Epidemiológica, Zoonoses UrbanasResumo
A leptospirose canina configura-se como uma zoonose de importância crescente em áreas urbanas brasileiras, associada a condições socioambientais adversas, como saneamento precário, elevada pluviosidade e presença de roedores, além de representar potencial impacto à saúde pública. Considerando a produção científica fragmentada e a ausência de um sistema nacional padronizado de vigilância da leptospirose canina, tornou-se necessária a sistematização das evidências disponíveis acerca da dinâmica urbana da doença. Objetivou-se revisar e sintetizar a produção científica publicada entre 2015 e 2024 sobre a leptospirose canina em áreas urbanas do Brasil, com ênfase na tendência temporal, na distribuição espacial e nos principais determinantes socioambientais associados à sua ocorrência. Para tanto, procedeu-se a uma revisão integrativa da literatura, com buscas realizadas nas bases SciELO, PubMed/MEDLINE, Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde, incluindo estudos originais desenvolvidos em contextos urbanos brasileiros. Desse modo, observou-se que a leptospirose canina apresenta flutuações temporais associadas a períodos de maior pluviosidade, concentração espacial em áreas urbanas socialmente vulneráveis e forte relação com fatores como saneamento inadequado, enchentes, presença de roedores e manejo inadequado dos animais. Ademais, os estudos analisados evidenciaram o potencial dos cães como sentinelas epidemiológicas da circulação ambiental da Leptospira spp.. O que permitiu concluir que o fortalecimento de estratégias integradas de vigilância, fundamentadas na abordagem One Health, é essencial para a identificação precoce de áreas de risco e para o aprimoramento das ações de prevenção e controle da leptospirose em ambientes urbanos brasileiros.
Downloads
Referências
BELAZ, L. D.; SANTANA, C. F. S.; VICTÓRIA, C.; PANTOJA, J. C. F.; FREITAS, J. C.; NAVARRO, I. T.; PEREIRA, M. R.; ARABE FILHO, M. F.; OLIVEIRA, L. M.; PAES, A. C.; RIBEIRO, M. G.; MEGID, J. Spatial analysis of leptospirosis and toxoplasmosis seroprevalence in the canine population in an area of socioeconomic and environmental vulnerability. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v. 75, n. 4, p. 623–632, 2023. DOI: https://doi.org/10.1590/1678-4162-12817
BENITEZ, A. N.; MONICA, T. C.; MIURA, A. C.; ROMANELLI, M. S.; GIORDANO, L. G. P.; FREIRE, R. L.; MITSUKA-BREGANÓ, R.; MARTINS, C. M.; BIONDO, A. W.; SERRANO, I. M.; COSTA, F.; KO, A. I.; NAVARRO, I. T. Spatial and simultaneous seroprevalence of anti-Leptospira antibodies in owners and their domiciled dogs in a major city of southern Brazil. Frontiers in Veterinary Science, Lausanne, v. 7, e580400, 2021. DOI: https://doi.org/10.3389/fvets.2020.580400
BROD, C. S.; ALEIXO, J. A. G.; JOUGLARD, S. D. D.; FERNANDES, C. P. S. Teoria e prática da leptospirose em cães. Ciência Rural, Santa Maria, v. 35, n. 5, p. 1233–1241, 2005.
CHAIBLICH, J. V.; LIMA, M. L. C.; OLIVEIRA, T. V.; MONKEN, M. V. S. Análise espacial da leptospirose humana no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 33, n. 5, e00186515, 2017.
COSTA, F.; HAGAN, J. E.; CALCAGNO, J.; KANE, M.; TORGERSON, P.; MARTINEZ-SILVEIRA, M. S.; STEIN, C.; ABELA-RIDDER, B.; KO, A. I. Global morbidity and mortality of leptospirosis: a systematic review. PLoS Neglected Tropical Diseases, San Francisco, v. 9, n. 9, e0003898, 2015. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0003898
FAINE, S.; ADLER, B.; BOLIN, C.; PEROLAT, P. Leptospira and leptospirosis. 2. ed. Melbourne: MediSci, 1999.
GREENE, C. E. Infectious diseases of the dog and cat. 4. ed. St. Louis: Elsevier Saunders, 2012.
KO, A. I.; GOARANT, C.; PICARDEAU, M. Leptospira: the dawn of the molecular genetics era for an emerging zoonotic pathogen. Nature Reviews Microbiology, London, v. 7, n. 10, p. 736–747, 2009. DOI: https://doi.org/10.1038/nrmicro2208
LEVETT, P. N. Leptospirosis. Clinical Microbiology Reviews, Washington, v. 14, n. 2, p. 296–326, 2001. DOI: https://doi.org/10.1128/CMR.14.2.296-326.2001
MARTELI, A. N.; GENOVEZ, M. E.; RODRIGUES, C. L.; PINTO, P. S. A. Leptospirose humana no Brasil: aspectos epidemiológicos, clínicos e laboratoriais. Revista Pan-Amazônica de Saúde, Ananindeua, v. 11, e202000428, 2020.
MELCHIOR, L. A. K.; SILVA, A. R.; SOUZA, V. M.; COSTA, J. M. B. S.; SILVA, A. M. C. Spatial, temporal and space-time analysis of leptospirosis in Acre, Brazil. Revista Brasileira de Epidemiologia, São Paulo, v. 27, e240006, 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/1980-549720240063.2
MOREIRA, A. S.; CARVALHO, E. V.; VELLASCO, L.; MELO, J. T. Perfil epidemiológico dos casos de leptospirose canina em bairros residenciais do Rio de Janeiro. Revista Saber Digital, Valença, v. 15, n. 1, e20221507, 2022. DOI: https://doi.org/10.24859/SaberDigital.2022v15n1.1249
SEVÁ, A. P.; BRANDÃO, A. P. D.; GODOY, S. N.; SOUZA, G. O.; JIMENEZ-VILLEGAS, T.; HEINEMANN, M. B.; FERREIRA, F. Soroprevalência e incidência de Leptospira spp. em cães domésticos na região sudeste do estado de São Paulo, Brasil. Pesquisa Veterinária Brasileira, Rio de Janeiro, v. 40, n. 5, p. 399–407, 2020. DOI: https://doi.org/10.1590/1678-5150-pvb-6390