EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: PERSPECTIVAS DE MORADORES DE FAVELAS E PERIFERIAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-135Palavras-chave:
Educação de Jovens e Adultos, Desigualdades Socioeducacionais, Território, Educação Popular, EquidadeResumo
Considerando as profundas desigualdades sociais, territoriais e educacionais que historicamente atravessam a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil, especialmente nos contextos de favelas e periferias urbanas, este artigo problematiza essa modalidade como um direito público e subjetivo cuja efetivação permanece tensionada por processos estruturais de exclusão. Objetiva-se analisar criticamente a EJA a partir das experiências e condições de vida de sujeitos moradores desses territórios, discutindo os sentidos atribuídos à modalidade no âmbito das políticas educacionais brasileiras. Para tanto, procede-se a um ensaio teórico de abordagem qualitativa, fundamentado na análise crítica da produção acadêmica sobre EJA, educação popular e desigualdades estruturais, em diálogo com autores como Freire (2004) , Arroyo (2017), Paiva e Julião (2019). Desse modo, observa-se que as políticas educacionais destinadas à EJA foram historicamente marcadas por um caráter compensatório e utilitarista, frequentemente subordinadas às demandas do mercado de trabalho e à lógica de correção de fluxo, o que limita o acesso, a permanência e o sucesso escolar dos sujeitos da modalidade. Conclui-se que o fortalecimento da EJA exige sua afirmação como espaço de formação humana, política e emancipatória, orientada pelo princípio da equidade e pelo reconhecimento das diferenças, superando práticas reducionistas e reafirmando a educação como instrumento de justiça social.
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