O ESTADO NEOLIBERAL E SUA RELAÇÃO COM O SOFRIMENTO ÉTICO-POLÍTICO EM DOCENTES DE UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-087Palavras-chave:
Trabalho Docente, Estado Neoliberal, Contratações Precárias, Sofrimento Ético-Político, AfetosResumo
No contexto contemporâneo, marcado pela presença crescente das tecnologias digitais e pela intensificação da flexibilização dos vínculos laborais, observam-se transformações significativas nas formas de contratação e nas condições de trabalho, as quais não rompem com a lógica estrutural da relação capital/trabalho, mas antes a atualizam sob novos dispositivos e discursos. Como consequência, diferentes categorias profissionais vêm enfrentando perdas de direitos historicamente conquistados, inclusive no campo previdenciário. Esse artigo se insere nesse cenário, tendo como objeto a análise de um processo de inclusão-exclusão, a partir do sofrimento ético-político produzido pelas políticas de contratação precária de docentes no âmbito do Estado neoliberal, que utiliza as contribuições dos servidores como justificativa para negociações entre Federação e União com foco na experiência vivida em uma universidade pública estadual. O contexto se avolumou a partir de 2014, momento em que a problemática emergiu com maior nitidez, atravessando o cotidiano de professores da Educação Superior. Optou-se por uma análise documental tendo por marco temporal o ano de 2014 seguindo até o ano de 2017 no levantamento jurídico-legal documental. Tal percurso se fez necessário dada a complexidade do fenômeno e a urgência de compreendê-lo criticamente, evidenciando suas contradições e implicações para a vida dos trabalhadores, sendo que tais implicações perduram até o presente momento. Observa-se um modelo de contratação que aparenta promover inclusão pela existência de um processo seletivo, mas que, de fato, submete os docentes à instabilidade, ao desgaste e à posterior exclusão — fenômeno caracterizado por Sawaia como “inclusão perversa”.