TRANSTORNO DE JOGO: RELATO DE CASO E REVISÃO DE ASPECTOS CLÍNICOS E PSICOSSOCIAIS

Autores

  • Caroline Belucio Gaetano Autor
  • Mariana Pentagna Pereira da Silva Autor
  • Thaís Yokomachi Pereira Silva Autor
  • Beatriz Viegas de Almeida Autor
  • Thaís Perissotto Autor
  • João Victor Aguiar Moreira Autor
  • Ana Carolina Gonçalves Olmos Autor
  • Erico Marques Kohl Autor
  • Gerardo Maria de Araújo Filho Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n1-079

Palavras-chave:

Transtorno de Jogo, Tratamento Multidisciplinar, Terapia Medicamentosa

Resumo

Introdução: Os jogos de azar são definidos como atividades que envolvem a aposta de um valor financeiro na tentativa de prever o resultado de um evento futuro, cujo desfecho é, em grande parte, independente das ações do apostador. Entre as formas mais populares dessa prática, destacam-se os jogos de cassino, loterias e jogos de azar na Internet, incluindo pôquer e apostas esportivas. O transtorno de jogo é o termo adotado pela quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) para descrever um padrão persistente e recorrente de comportamento de jogo associado a sofrimento significativo ou a prejuízo substancial em diversas esferas da vida. A prevalência é de 1% ao longo da vida, sendo o terceiro comportamento mais comum após tabaco e álcool. O tratamento é complexo, com ênfase em intervenções psicossociais. Objetivo: Relatar um caso de uma paciente encaminhada ao serviço de psiquiatria pela atenção primária de sua cidade de origem, devido ao comportamento disfuncional relacionado a jogos de apostas em diversas plataformas digitais e discutir as intervenções terapêuticas adotadas, considerando os principais aspectos clínicos, sociais e psicopatológicos associados à condição e discutindo as dificuldades enfrentadas no manejo multidisciplinar do transtorno de jogo. Metodologia: Trata-se de relato de caso clínico, complementado por revisão narrativa da literatura, a partir de análise retrospectiva do prontuário eletrônico de uma paciente atendida no Ambulatório de Psiquiatria do Hospital de Base da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, vinculado ao Departamento de Ciências Neurológicas, Psiquiatria e Psicologia Médica da FAMERP. Resultados: Paciente do sexo feminino, 24 anos, com comportamento persistente e desadaptativo de apostas online, associado a prejuízos financeiros, sociais e emocionais significativos. O tratamento inicial incluiu psicofármacos (fluoxetina, naltrexona, valproato e risperidona), bloqueio das contas em plataformas digitais e encaminhamento para psicoterapia, resultando em melhora parcial. Entretanto, a paciente não teve acesso efetivo à psicoterapia ao longo do acompanhamento, o que contribuiu para a evolução com recaídas, abandono do acompanhamento e manutenção dos prejuízos funcionais. Conclusão: O manejo do transtorno de jogo requer uma abordagem multidisciplinar, combinando intervenções psicossociais, farmacológicas e suporte contínuo, com atenção às comorbidades psiquiátricas. A dificuldade de acesso a terapias especializadas, a alta taxa de recaídas e os impactos psicossociais do comportamento de jogo destacam a necessidade de políticas públicas mais eficazes, além de estratégias terapêuticas individualizadas para promover reabilitação integral e prevenir novos episódios.

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Publicado

2026-01-12

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

GAETANO, Caroline Belucio; DA SILVA, Mariana Pentagna Pereira; SILVA, Thaís Yokomachi Pereira; DE ALMEIDA, Beatriz Viegas; PERISSOTTO, Thaís; MOREIRA, João Victor Aguiar; OLMOS, Ana Carolina Gonçalves; KOHL, Erico Marques; DE ARAÚJO FILHO, Gerardo Maria. TRANSTORNO DE JOGO: RELATO DE CASO E REVISÃO DE ASPECTOS CLÍNICOS E PSICOSSOCIAIS. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 1, p. e11768, 2026. DOI: 10.56238/arev8n1-079. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/11768. Acesso em: 18 jan. 2026.