TIPOLOGIA DOS MODOS DE VIDA: UMA PERSPECTIVA DELEUZEANA DA GENEALOGIA DA MORAL NIETZSCHEANA
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-051Palavras-chave:
Nietzsche, Deleuze, Ética, Moral, SaúdeResumo
A presente pesquisa propõe uma leitura da Genealogia da Moral de Friedrich Nietzsche a partir da chave interpretativa de Gilles Deleuze em Nietzsche e a Filosofia (1962), partindo de uma tipologia dos modos de vida, da qual emerge uma ética não normativa. Trataremos primeiramente da descrição analítica da primeira obra referida, com ênfase nos conceitos de culpa, má consciência e interiorização dos instintos; em seguida, essa análise é retomada e aprofundada à luz da leitura deleuzeana, especialmente a partir do capítulo 3, A crítica de Nietzsche e a Filosofia (1962). Partindo da compreensão do procedimento genealógico, abordado no Prefácio de Genealogia da Moral (1987), examina-se a constituição histórica dos valores morais enquanto expressões de forças, destacando-se a oposição entre moral nobre e moral escrava, bem como os processos de ressentimento e de produção da má consciência, operados pelo ideal ascético. A partir da crítica proposta por Nietzsche à culpa, evidencia-se a moral como um dispositivo de negação da vida e de produção de formas reativas de existência. Em contraposição, especula-se que os pressupostos de uma ética nietzscheana, que tal como interpretada por Deleuze, opera como uma avaliação imanente das forças, orientada pelos critérios de potência, saúde e afirmação da vida, abrindo espaço para a criação de novos modos de vida, para além da moral de rebanho.
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Referências
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