GÊNESIS 1:26: CANIBALISMO, CONSUMO E CONTROLE DO IMAGINÁRIO E EM “A FIRST-RATE MATERIAL” (2022), DE SAYAKA MURATA
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-012Palavras-chave:
Canibalismo, Sayaka Murata, Controle do ImaginárioResumo
A presente pesquisa tem como objetivo analisar o conto “A First-Rate Material” (2022), de Sayaka Murata, pela perspectiva do canibalismo como alegoria da influência do capitalismo tardio atuando em indivíduos para o controle do imaginário destes, de modo a exemplificar o conceito “glorificação à obediência”. Como metodologia, utilizaremos o termo chave Plurivocalismo Bakhtiniano para englobar os conceitos sobre a teoria das vozes dialogizadas de Bakhtin (1998). Como fundamentação teórica, recorreremos à teoria do controle do imaginário de Costa Lima (2009); aos apontamentos de Marx (2017) sobre o fetichismo de mercadoria e a atualização do termo para superindústria do imaginário por Bucci (2021); Bauman (2022) e Benjamin (2013) sobre a pós-modernidade onde o consumo é o centro e o capitalismo vivido como uma religião. Como resultados, apontamos que a sociedade representada no conto já atingiu um nível de consumo que nem mesmo os restos mortais escapam de serem vendidos. Os indivíduos passaram a crer no mito da durabilidade dos itens provenientes de humanos, dando-lhes mais valor pelo seu caráter exótico. Como considerações finais, pontuamos que o noivo, Naoki, só se converte ao controle do imaginário canibal, que considera o canibalismo como aceitável e praticável por conta de uma questão mal-resolvida com o seu pai. Se não houvesse um véu constituído da pele de seu pai, Naoki nunca teria se rendido à imoralidade dessa concepção.
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Referências
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