MONITORAMENTO DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL NA PRIMEIRA INFÂNCIA: AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DAS PRÁTICAS DE CUIDADO E DOS FATORES LIMITANTES NA DETECÇÃO PRECOCE DE ATRASOS DO NEURODESENVOLVIMENTO
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-073Palavras-chave:
Desenvolvimento Infantil, Monitoramento do Desenvolvimento, Primeira Infância, Atenção à Saúde da Criança, NeurodesenvolvimentoResumo
O monitoramento do desenvolvimento infantil na primeira infância constitui uma dimensão essencial do cuidado à saúde da criança, uma vez que permite acompanhar a aquisição de habilidades motoras, cognitivas, linguísticas e socioemocionais, bem como identificar precocemente possíveis atrasos do neurodesenvolvimento. Considerando a relevância desse acompanhamento e os desafios relacionados à sua operacionalização nos serviços de saúde, este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade das práticas de monitoramento do desenvolvimento infantil na primeira infância e analisar os fatores limitantes associados à detecção precoce de atrasos do neurodesenvolvimento. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida conforme etapas metodológicas sistematizadas, com buscas realizadas nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Web of Science, utilizando descritores controlados e palavras-chave relacionados ao desenvolvimento infantil e à atenção à saúde da criança. Foram incluídos estudos disponíveis na íntegra, publicados em português, inglês ou espanhol, que abordassem práticas de monitoramento do desenvolvimento e fatores associados às limitações desse processo nos serviços de saúde. Os resultados mostram que as práticas de monitoramento do desenvolvimento infantil apresentam variações importantes quanto à frequência, sistematização e incorporação de instrumentos disponíveis, como a Caderneta da Criança e escalas padronizadas de triagem. Observou-se que o uso irregular desses instrumentos, a ausência de normas institucionais, o tempo reduzido de consulta, fragilidades na organização do processo de trabalho e dificuldades na articulação entre os níveis de atenção constituem fatores limitantes à detecção precoce de atrasos do neurodesenvolvimento. Conclui-se que, embora o monitoramento do desenvolvimento infantil seja reconhecido nas diretrizes nacionais como ação longitudinal e estruturante do cuidado, sua efetivação nos serviços ainda ocorre de forma heterogênea, demandando fortalecimento da organização assistencial, capacitação das equipes e incorporação sistemática das práticas de monitoramento na rotina da atenção à saúde da criança.
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