DO ‘CABRA DA PESTE’ ÀS MASCULINIDADES POSSÍVEIS: REPERTÓRIOS CULTURAIS DE JOVENS ESTUDANTES DO AGRESTE PERNAMBUCANO
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev7n6-315Palavras-chave:
Masculinidades, Educação, Psicologia Social, Adolescente, Pesquisa InterdisciplinarResumo
O presente artigo discute os modos de (co)construção das masculinidades entre jovens do agreste pernambucano. As reflexões apresentadas são um recorte de uma pesquisa maior, aqui o objetivo foi identificar e compreender as quais (re)produções e negociações de repertórios culturais acerca das masculinidades no contexto escolares (co)produzidos por jovens do ensino médio, identificando tanto a permanência quanto as tensões em relação ao modelo normativo do homem viril, resistente em demonstrar-se emocionalmente. Fundamentado no Construcionismo Social e nas práticas discursivas e produção de sentidos no cotidiano, o estudo adotou uma abordagem qualitativa, com realização de duas rodas de conversa em uma escola pública estadual, complementadas por observações no cotidiano e registros em diários de pesquisa. Tomando como foco a categoria analítica “Cabra da peste” e suas subcategorias: Cabresto cultural, Pé de manga de preconceitos e Rede de arrasto familiar. Os resultados apontam que os jovens, embora majoritariamente mobilizem discursos hegemônicos de masculinidade, também expressam desconfortos, silenciamentos e resistências frente às expectativas impostas. A escola surge como espaço ambíguo: ora reforça os estereótipos de gênero, ora permite a emergência de narrativas alternativas. O estudo contribui para o debate sobre juventudes, gênero e subjetividade, ao evidenciar que os modelos tradicionais de ser homem seguem como cabrestos simbólicos, mas também vêm sendo tensionados a partir das experiências e práticas discursivas cotidianas dos próprios jovens estudantes.