BAIXO PESO AO NASCER E ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL EM BOA VISTA, RORAIMA: UMA ANÁLISE LOCAL FRENTE AO CENÁRIO DA REGIÃO NORTE DO BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n6-088Palavras-chave:
Cuidado Pré-Natal, Recém-Nascido de Baixo Peso, Epidemiologia, Saúde Materno-Infantil, Boa Vista-RRResumo
Considerando que o Baixo Peso ao Nascer (BPN) é um dos principais preditores de morbimortalidade neonatal e que a Região Norte do Brasil enfrenta desafios socioeconômicos e assistenciais históricos, torna-se fundamental compreender como a cobertura e a qualidade do acompanhamento gestacional impactam esses desfechos em nível municipal. Objetiva-se analisar a relação epidemiológica entre a assistência pré-natal e a prevalência de BPN no município de Boa Vista, Roraima, no período de 2020 a 2024, confrontando os dados locais com o panorama regional. Para tanto, procede-se à realização de um estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, com coleta de dados secundários obtidos via Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC/DATASUS), associado a uma fundamentação teórica da literatura médica e científica sobre os determinantes do crescimento intrauterino. Desse modo, observa-se que Boa Vista registrou 3.306 casos de BPN (5,25% do total de nascidos vivos) no quinquênio, evidenciando uma associação inversamente proporcional à frequência das consultas: gestantes com nenhuma consulta apresentaram a maior taxa de recém-nascidos abaixo do peso (10,23%), enquanto aquelas com mais de 7 consultas alcançaram o menor índice (3,88%). O que permite concluir que a assistência pré-natal precoce e quantitativamente adequada atua como um fator protetor crucial contra o déficit ponderal ao nascer, ressaltando a urgência de fortalecer as políticas públicas de saúde materno-infantil na região.
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