A HERANÇA COMO UM BEM DE USO EMERGENCIAL: A GRANDE SECA E A SOBREVIVÊNCIA FAMILIAR NOS SERTÕES
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n6-014Palavras-chave:
Grande Seca, Sertão, Herança, Sobrevivência, FamíliaResumo
O presente trabalho analisa como a Grande Seca de 1877-1879 afetou as famílias sertanejas localizadas nas proximidades da Cidade do Príncipe, atual Caicó, na Província do Rio Grande do Norte. A partir da análise de petições judiciais referentes à venda de bens herdados pertencentes a menores órfãos, busca-se compreender de que maneira a herança deixou de representar apenas patrimônio familiar e passou a assumir uma função emergencial de sobrevivência. As fontes revelam famílias que, diante da fome, da pobreza e da perda de seus rebanhos, recorreram à venda de terras, animais, casas e até pessoas escravizadas como forma de garantir a manutenção da vida. O estudo demonstra que a seca não pode ser entendida apenas como um fenômeno natural, mas como um fenômeno social que aprofundou desigualdades e alterou profundamente as dinâmicas familiares e econômicas do sertão.
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