RECALQUES DE FUNDAÇÕES RASAS NO MUNICÍPIO DE SANTOS/SP
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n5-052Palavras-chave:
Santos/SP, Fundações Rasas, Edificações InclinadasResumo
Objetivo – O estudo investiga a correlação entre os fatores históricos, econômicos, geotécnicos e institucionais que condicionaram a adoção generalizada de fundações rasas em edificações no município de Santos/SP, bem como suas implicações no desempenho estrutural e nas manifestações patológicas associadas aos recalques diferenciais. Metodologia – A metodologia consistiu em revisão de literatura e pesquisa documental em bases científicas consolidadas (Google Scholar, SciELO, Periódicos CAPES e Web of Science), complementada pela análise de documentos institucionais. As fontes foram selecionadas com base na aderência temática, relevância técnico-científica e aplicabilidade ao contexto da Baixada Santista, priorizando trabalhos clássicos e estudos recentes. O recorte temporal abrangeu produções entre as décadas de 1950 e 2024, contemplando a evolução do conhecimento geotécnico e das abordagens relacionadas à verticalização urbana e às manifestações patológicas. Originalidade/relevância – O trabalho preenche um gap teórico ao realizar uma síntese integrada que transcende a análise puramente técnica das edificações inclinadas, inserindo o fenômeno no contexto da "lógica do lucro imediato" e da verticalização urbana acelerada em solos altamente compressíveis. A relevância acadêmica e social reside na compreensão de um passivo urbano que envolve 319 edificações monitoradas na cidade mais verticalizada do Brasil. Resultados – As evidências indicam que a manutenção de fundações rasas foi impulsionada por motivações econômicas, visto que custavam entre 5% e 7% do valor da obra, contra 14% das fundações profundas. Esse fator, aliado à pressão imobiliária, levou à construção de prédios de até dezoito pavimentos sobre argilas marinhas sujeitas a recalques seculares, superando limites técnicos recomendados. Identificou-se que a interação solo-estrutura e a sobreposição de bulbos de tensão são os principais motores das inclinações, que resultam em danos funcionais e patológicos, mas sem risco de ruína imediata registrado até 2023. Contribuições teóricas/metodológicas – O estudo contribui para a área de engenharia diagnóstica e urbanismo ao propor um modelo de análise que correlaciona a métrica da distorção angular e a Interação Solo-Estrutura com a evolução dos instrumentos regulatórios e condicionantes econômicos. Contribuições sociais e ambientais – Os achados fornecem subsídios para o aprimoramento de políticas públicas de segurança urbana, como a Lei de Autovistoria Predial e o Programa PISA, auxiliando na gestão de riscos e na conscientização sobre a ocupação sustentável de terrenos com limitações geotécnicas severas.
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