SAIR OU FICAR NO CAMPO? A MIGRAÇÃO DE JOVENS MULHERES
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n5-024Palavras-chave:
Agricultura Familiar, Assentamento, Evasão, Exclusão, MasculinizaçãoResumo
A continuação da agricultura familiar está ameaçada devido à evasão dos jovens do campo, principalmente de jovens mulheres, fato que consequentemente vem provocando a “masculinização” e o “envelhecimento” do meio rural. Diante disso, esse estudo teve por objetivo analisar os fatores que influenciam a decisão das jovens mulheres do assentamento Guanabara, localizado em Amambai, Mato Grosso do Sul, em permanecerem na área rural ou migrarem para os centros urbanos. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de campo, com abordagem qualiquantitativa. Os dados foram coletados por meio de questionários e realização de uma entrevista específica semi-estruturada para os dois grupos de jovens mulheres: as que já saíram do assentamento (Grupo-1) e as que ficaram (Grupo-2). Os dados foram analisados usando as técnicas de análise de conteúdo e interpretados utilizando a estatística descritiva com o software Excel 2010. Encontramos que os principais fatore que contribuíram para a continuação de jovens mulheres no campo foram: fatores relacionados ao contexto familiar. Enquanto que os principais fatores que influenciaram o processo migratório foram: estudo e emprego. Ao comparar os dois Grupos, verificou-se que as entrevistadas do Grupo 1 apresentaram maiores níveis de satisfação. Uma das possíveis explicações é que as jovens do Grupo 1 terem alcançado níveis mais elevados de formação educacional e desempenharem alguma atividade profissional comparando ao Grupo 2. De forma geral, concluimos que a migração das jovens mulheres ocorre devido à busca por níveis maiores de formação educacional e profissional, e uma das possíveis explicações para a migração, é a falta de acesso a formação tanto educacional quanto profissional inexistente ao meio rural.
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