DA ATA DE WANNSEE AOS TRIBUNAIS DE NUREMBERG: A ENGENHARIA DA DESUMANIZAÇÃO E O COMPROMISSO ÉTICO DO "NUNCA MAIS"
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n4-050Palavras-chave:
Direito e Cinema, Dignidade da Pessoa Humana, Holocausto, Burocracia, Direitos HumanosResumo
Esta pesquisa investiga a intersecção entre o Direito e o Cinema, analisando como a filmografia da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto atuou na transição da barbárie burocrática para a reconstrução do humanismo contemporâneo. A importância do tema reside na necessidade de vigiar a técnica jurídica, impedindo que o formalismo administrativo seja novamente instrumentalizado para a desumanização. Adotando uma metodologia exploratória e reflexiva, a análise conecta a literalidade do Protocolo de Wannsee à obra cinematográfica A Conferência (2022), confrontando a "frieza burocrática" com o rigor das provas nos Tribunais de Nuremberg. As conclusões alcançadas demonstram que o Holocausto gerou um compromisso ético de não repetição, fundamentando a criação da ONU e a consolidação de uma jurisprudência internacional protetiva na Corte Interamericana de Direitos Humanos e no Tribunal Penal Internacional. O cinema, portanto, firma-se como sentinela da memória e guardião fático da dignidade da pessoa humana, essencial para a vigilância constante contra o arbítrio e a opressão estatal no cenário jurídico global.
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