ENTRE VERSOS E VIDAS: A EXPERIÊNCIA DE GRUPOS DE TERAPIA OCUPACIONAL COM CUIDADORES EM SAÚDE MENTAL MEDIADA PELO CORDEL

Autores

  • Raphaela Schiassi Hernandes Autor
  • Stephany Conceição Correia Alves Guedes Reis Autor
  • Ivan Elias de Azevedo Autor
  • Ana Lícia Almeida Santos Autor
  • Erika Hiratuka-Soares Autor
  • Marcela Santana de Jesus Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n3-160

Palavras-chave:

Terapia Ocupacional, Saúde Mental, Cuidadores, Atenção Psicossocial, Saúde Coletiva

Resumo

A Reforma Psiquiátrica brasileira e a Luta Antimanicomial produziram transformações no cuidado em saúde mental, deslocando-o do modelo asilar para uma rede territorial de atenção psicossocial, orientada pelo cuidado em liberdade. Nesse contexto, a família passou a ocupar lugar central no acompanhamento de usuários em sofrimento psíquico, assumindo, frequentemente, a função de cuidadora principal. Contudo, essa responsabilização nem sempre é acompanhada de suporte adequado, podendo gerar sobrecarga, sofrimento e invisibilidade das necessidades desses familiares. Nessa direção, a Terapia Ocupacional, em interlocução com a Saúde Coletiva, constitui importante estratégia ao promover espaços de acolhimento, escuta e fortalecimento das redes de apoio. Este estudo tem como objetivo analisar as experiências de cuidadores de usuários em sofrimento psíquico participantes de um grupo de Terapia Ocupacional em um CAPS do interior de Sergipe, que utilizou o cordel como recurso expressivo e reflexivo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, do tipo pesquisa-ação, na qual os pesquisadores participaram da condução dos encontros e da produção dos dados. Foram realizados seis encontros grupais, nos quais o cordel mediou a expressão de vivências e narrativas do cotidiano do cuidado. A análise temática evidenciou o cordel como tecnologia leve, favorecendo escuta, pertencimento e ressignificação das experiências. Os participantes compartilharam desafios e estratégias de enfrentamento, produzindo sentidos coletivos sobre o cuidado no território. A Terapia Ocupacional mostrou-se fundamental na criação de dispositivos grupais que ampliam o cuidado, reconhecendo os cuidadores como sujeitos e articulando cultura, território e produção de vida.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

AMARANTE, P. Saúde mental e atenção psicossocial. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2007.

AYRES, J. R. C. M. Organização das ações de atenção à saúde: modelos e práticas. Saúde e Sociedade, v. 18, n. 2, p. 12-23, 2009.

BALLARIN, M. L. G. S. Abordagens grupais. In: CAVALCANTI, A; GALVÃO, C. Terapia Ocupacional: Fundamentação & Prática. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, p. 39 e 40, 2007.

BAPTISTA, P. C. et al. Impacto do cuidado em saúde mental sobre o bem-estar dos cuidadores. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, n. 4, p. 856-864, 2020.

BARROS, D. D.; GHIRARDI, M. I. G.; LOPES, R. E.. Terapia ocupacional social. Revista de Terapia Ocupacional da Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, 13(3) p. 95–103, 2002.

BORBA, L. O.; SCHWARTZ, E.; KANTORSKI, L. P. A sobrecarga da família que convive com a realidade do transtorno mental. Acta Paulista de Enfermagem, v. 21, n. 4, p. 588–594, 2008.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.088, de 23 de dezembro de 2011. Institui a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2011. Disponível em: Ministério da Saúde, 2011.

BUBER, M. Eu e Tu. São Paulo: Centauro, 2001.

ELOIA, S. C. et al. Sobrecarga do cuidador familiar de pessoas com transtorno mental: uma revisão integrativa. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 38, n. 103, p. 996–1007, 2014.

FRANKL, V. E. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. Editora Vozes, São Paulo, 2008.

GALHEIGO, S. M. Terapia Ocupacional, cotidiano e a tessitura da vida: aportes teóricos-conceituais para a construção de perspectivas críticas e emancipatórias. Cadernos Brasileiros de Terapia Ocupacional, 28(1), p. 5-25, 2020.

GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.

HIRATA, H., Dossiê Gênero e cuidado. Cadernos Pagu, Universidade Estadual de Campinas – Sistemas de Biblioteca, n. 46, p. 07-15, 2016.

LOPES, R. A.; LEÃO, A. Cuidando de quem cuida: desafios e estratégias no cuidado familiar em saúde mental. Revista de Saúde Coletiva, v. 29, n. 3, p. 452-467, 2019

MARCON, S. R. et al. Qualidade de vida e sintomas depressivos entre cuidadores e dependentes de drogas. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 20, n. 1, p. 167–174, 2012.

MERHY, E. E. Em busca do tempo perdido: a micropolítica do trabalho vivo em saúde. Hucitec. São Paulo, 2002.

MERHY, E. E. O SUS e um de seus dilemas: mudar a gestão e a lógica do processo de trabalho em saúde – um ensaio sobre a micropolítica do trabalho vivo. In: FLEURY, S. (org.). Saúde e democracia: a luta do CEBES. Lemos Editorial, 1997.

MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: Pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Abrasco, 2014.

ONOCKO-CAMPOS, R. T.; FURTADO, J. P. Entre a saúde coletiva e a saúde mental: um instrumental metodológico para avaliação da rede de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) do Sistema Único de Saúde. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 22(5), p. 1053-1062, 2006.

SCHWARTZ, E.; MAFTUM, M. A. O papel do cuidador informal na assistência à saúde mental. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 71, n. 5, p. 2258-2264, 2018.

SORJ, B. Arenas de cuidado nas interseções entre gênero e classe social no Brasil. Cadernos de Pesquisa, 43(149), p. 478-491, 2013.

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

YALOM, I. D. Teoria e Prática da Psicoterapia de Grupo. Porto Alegre: Artmed, 2006.

Downloads

Publicado

2026-03-31

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

HERNANDES, Raphaela Schiassi; REIS, Stephany Conceição Correia Alves Guedes; DE AZEVEDO, Ivan Elias; SANTOS, Ana Lícia Almeida; HIRATUKA-SOARES, Erika; DE JESUS, Marcela Santana. ENTRE VERSOS E VIDAS: A EXPERIÊNCIA DE GRUPOS DE TERAPIA OCUPACIONAL COM CUIDADORES EM SAÚDE MENTAL MEDIADA PELO CORDEL. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 3, p. e12736 , 2026. DOI: 10.56238/arev8n3-160. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12736. Acesso em: 18 abr. 2026.