O ESPETÁCULO DA EFICIÊNCIA: A PRISÃO PREVENTIVA E A EROSÃO DAS GARANTIAS PENAIS COMO NEOSSUPLÍCIO

Autores

  • João Pedro Pinheiro Rodrigues Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n3-148

Palavras-chave:

Prisão Preventiva, Garantismo Penal, Criminologia Crítica, Processo Penal, Neossuplício

Resumo

O presente artigo analisa criticamente a prisão preventiva no processo penal brasileiro contemporâneo, compreendendo-a como uma prática que, para além de sua função cautelar formalmente atribuída, tem assumido contornos de um neossuplício no contexto do chamado “espetáculo da eficiência penal”. Parte-se da hipótese de que a ampliação e banalização do uso da prisão cautelar não pode ser explicada apenas a partir da dogmática processual, exigindo uma leitura que incorpore elementos políticos, simbólicos e midiáticos que atravessam a atuação do sistema de justiça criminal. A pesquisa adota abordagem interdisciplinar, valendo-se especialmente das contribuições de Michel Foucault sobre o suplício, a disciplina e a visibilidade punitiva, bem como dos aportes de Loïc Wacquant acerca do encarceramento como instrumento de gestão social. Em diálogo com a criminologia crítica e com a dogmática processual penal, notadamente a partir das formulações de Cezar Roberto Bitencourt e Aury Lopes Jr., sustenta-se que a prisão preventiva vem sendo progressivamente ressignificada como mecanismo simbólico de demonstração de eficiência estatal, operando menos como garantia do processo e mais como forma contemporânea de punição antecipada e exposição pública do acusado. Conclui-se que essa transformação compromete o núcleo das garantias penais e processuais constitucionais, em especial a presunção de inocência e o dever de fundamentação das decisões judiciais, contribuindo para a erosão da racionalidade garantista e da integridade do Estado Democrático de Direito.

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Publicado

2026-03-30

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

RODRIGUES, João Pedro Pinheiro. O ESPETÁCULO DA EFICIÊNCIA: A PRISÃO PREVENTIVA E A EROSÃO DAS GARANTIAS PENAIS COMO NEOSSUPLÍCIO. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 3, p. e12717 , 2026. DOI: 10.56238/arev8n3-148. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12717. Acesso em: 18 abr. 2026.