FLORICULTURA EM RURÓPOLIS: O PAPEL FEMININO COMO RESISTÊNCIA SOCIOECONÔMICA NA AMAZÔNIA

Autores

  • Lyuvia Borgaro Autor
  • Patricia Chaves de Oliveira Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n3-031

Palavras-chave:

Agricultura Urbana, Quintais Urbanos, Gênero

Resumo

A floricultura urbana vem se consolidando em municípios do interior amazônico como uma atividade produtiva de pequena escala, frequentemente desenvolvida em espaços domésticos e conduzida por mulheres. Este estudo analisou a floricultura urbana no município de Rurópolis, estado do Pará, considerando o cultivo de plantas ornamentais realizado por mulheres citadinas e sua relevância socioeconômica. A pesquisa teve caráter descritivo com abordagem quali-quantitativa, sendo conduzida por meio de questionários semiestruturados, observação direta dos ambientes de cultivo e levantamento florístico das espécies ornamentais presentes nos quintais urbanos. A identificação taxonômica foi validada por consulta ao International Plant Names Index (IPNI). Foram registradas 499 espécies de plantas ornamentais, distribuídas em 72 famílias botânicas, totalizando 181 espécies e 184 gêneros, com predominância de plantas de folhagem e floríferas. Verificou-se que 10 espécies estavam na lista de Espécies ameaçadas. 32 famílias apresentaram apenas uma única espécie, enquanto Apocynaceae, 88 registros e Araceae, 69 registros. O gênero Adenium foi o mais frequente no levantamento. O cultivo ocorreu principalmente em quintais e áreas próximas às residências, com uso de substratos acessíveis e propagação vegetativa. A floricultura foi identificada como fonte complementar de renda e como instrumento de conservação de flora ameaçada, contudo ainda invisibilizada como cadeia produtiva de importância para agricultoras urbanas na Amazônia.

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Publicado

2026-03-06

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

BORGARO, Lyuvia; DE OLIVEIRA, Patricia Chaves. FLORICULTURA EM RURÓPOLIS: O PAPEL FEMININO COMO RESISTÊNCIA SOCIOECONÔMICA NA AMAZÔNIA. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 3, p. e12436, 2026. DOI: 10.56238/arev8n3-031. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12436. Acesso em: 9 mar. 2026.