CETOACIDOSE DIABÉTICA GRAVE E RESPOSTA INFLAMATÓRIA SISTÊMICA EM PACIENTES CRÍTICOS
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n2-034Palavras-chave:
Cetoacidose Diabética, Síndrome de Resposta Inflamatória Sistêmica, Unidade de Terapia IntensivaResumo
INTRODUÇÃO: A cetoacidose diabética grave constitui uma emergência metabólica potencialmente fatal, caracterizada por hiperglicemia acentuada, acidose metabólica e produção excessiva de corpos cetônicos, frequentemente associada a descompensações agudas do diabetes mellitus. Em pacientes críticos, esse quadro pode ser agravado pela ativação da resposta inflamatória sistêmica, que contribui para disfunção orgânica, instabilidade hemodinâmica e aumento da morbimortalidade. A interação entre distúrbios metabólicos e inflamação sistêmica representa um desafio clínico relevante no contexto das unidades de terapia intensiva, demandando intervenções precoces e manejo intensivo baseado em evidências. OBJETIVO: Descrever a cetoacidose diabética grave e a resposta inflamatória sistêmica em pacientes críticos, destacando suas implicações clínicas e prognósticas. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. A busca foi realizada nas bases de dados SciELO, LILACS e PubMed, utilizando descritores controlados do DeCS/MeSH: “Cetoacidose Diabética”, “Unidade de Terapia Intensiva” e “Síndrome de Resposta Inflamatória Sistêmica”, combinados por operadores booleanos. Foram incluídos artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis na íntegra, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem aspectos clínicos, fisiopatológicos e terapêuticos da cetoacidose diabética grave em pacientes críticos. Excluíram-se estudos duplicados, editoriais, cartas ao editor, resumos de eventos e publicações sem relação direta com o tema. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram analisados 16 artigos. Os estudos evidenciaram que a cetoacidose diabética grave está associada à ativação significativa de mediadores inflamatórios, como citocinas pró-inflamatórias e marcadores de estresse oxidativo, contribuindo para disfunção endotelial, alterações microcirculatórias e progressão para falência orgânica múltipla. Observou-se que a intensidade da resposta inflamatória se correlaciona com maior tempo de internação em UTI, necessidade de suporte ventilatório e piores desfechos clínicos, especialmente em pacientes com comorbidades e infecções associadas. Os achados indicam que a resposta inflamatória sistêmica desempenha papel central na gravidade e evolução da cetoacidose diabética em pacientes críticos, ampliando o impacto das alterações metabólicas e dificultando a estabilização clínica. A identificação precoce da inflamação, aliada ao controle rigoroso da hiperglicemia, correção dos distúrbios eletrolíticos e manejo intensivo, mostra-se essencial para reduzir complicações. Entretanto, persistem desafios relacionados à variabilidade clínica, ao diagnóstico diferencial com sepse e à necessidade de protocolos integrados que contemplem o componente inflamatório. CONCLUSÃO: Conclui-se que a cetoacidose diabética grave associada à resposta inflamatória sistêmica configura um quadro clínico de alta complexidade em pacientes críticos, impactando negativamente o prognóstico. O reconhecimento precoce dessa interação e a adoção de estratégias terapêuticas integradas são fundamentais para melhorar os desfechos, reduzir complicações e qualificar o cuidado intensivo.
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