MANEJO TERAPÊUTICO DAS LESÕES URETERAIS IATROGÊNICAS: CONDUTAS CIRÚRGICAS

Autores

  • Clícia Santana da Silva Campos de Mello Autor
  • Ryan Rafael Barros de Macedo Autor
  • Sheylla Karine Medeiros Autor
  • Emanuelle Jardim Rodrigues Autor
  • Carla Côrtes Costa Ribeiro Autor
  • Ataiane Gomes Freitas Tavares Autor
  • Isabella Benatti Autor
  • Maria Ana Almeida Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n2-027

Palavras-chave:

Ureter, Lesões Iatrogênicas, Procedimentos Cirúrgicos Operatórios, Ureteroneocistostomia, Radiologia Intervencionista, Ginecologia

Resumo

Introdução: As lesões ureterais iatrogênicas (LUI) configuram uma complicação cirúrgica grave, associada a elevada morbidade, aumento do tempo de internação e risco significativo de perda da função renal, especialmente quando o diagnóstico é realizado de forma tardia. Apesar dos avanços nas técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, a cirurgia ginecológica permanece como a principal etiologia dessas lesões, frequentemente não reconhecidas no intraoperatório. Nesse contexto, a identificação precoce do ureter, a escolha adequada da técnica de reparo e a implementação de estratégias preventivas são fundamentais para otimizar os desfechos clínicos. Objetivo: O objetivo deste estudo foi sintetizar as evidências científicas recentes acerca do manejo terapêutico das lesões ureterais iatrogênicas, com ênfase nas condutas cirúrgicas e intervencionistas. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, realizada na base de dados PubMed, utilizando os descritores Ureter Injuries, Therapy e Diagnosis, combinados por operadores booleanos AND e OR, conforme a terminologia MeSH. Foram incluídos artigos publicados nos últimos cinco anos, em língua inglesa e disponíveis na íntegra, que abordassem diretamente o manejo terapêutico das LUI, sendo excluídas publicações duplicadas, estudos com baixo rigor metodológico e trabalhos não relacionados ao tema central. Resultados: Os resultados evidenciam que o diagnóstico tardio está fortemente associado a maior número de intervenções secundárias, prolongamento da hospitalização e aumento das complicações, como fístulas ureterovaginais, especialmente após cirurgias ginecológicas laparoscópicas. A escolha da técnica de reparo cirúrgico depende principalmente da localização e extensão da lesão, destacando-se a ureteroneocistostomia como abordagem preferencial para lesões do terço distal do ureter, com variações técnicas laparoscópicas eficazes e menos invasivas em casos selecionados. A ureteroureterostomia laparoscópica mostrou-se uma alternativa segura e eficaz, sobretudo em lesões térmicas distais, preservando a anatomia ureteral e reduzindo o risco de refluxo vesicoureteral. Em situações nas quais a abordagem cirúrgica imediata não é possível, a radiologia intervencionista, por meio de nefrostomias percutâneas e stents ureterais, apresenta elevados índices de sucesso técnico. No campo da prevenção, tecnologias inovadoras, como stents fluorescentes de infravermelho próximo, têm demonstrado potencial para aumentar a segurança intraoperatória, enquanto a identificação prévia de fatores de risco e a exploração cirúrgica cuidadosa permanecem essenciais, especialmente em ambientes com recursos limitados. Conclusão: Conclui-se que o manejo eficaz das lesões ureterais iatrogênicas depende do reconhecimento precoce da lesão, da individualização da estratégia terapêutica e da adoção de medidas preventivas, visando à preservação da função renal e à redução das complicações associadas.

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Referências

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Publicado

2026-02-05

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

DE MELLO, Clícia Santana da Silva Campos; DE MACEDO, Ryan Rafael Barros; MEDEIROS, Sheylla Karine; RODRIGUES, Emanuelle Jardim; RIBEIRO, Carla Côrtes Costa; TAVARES, Ataiane Gomes Freitas; BENATTI, Isabella; ALMEIDA, Maria Ana. MANEJO TERAPÊUTICO DAS LESÕES URETERAIS IATROGÊNICAS: CONDUTAS CIRÚRGICAS. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 2, p. e12059, 2026. DOI: 10.56238/arev8n2-027. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12059. Acesso em: 7 fev. 2026.