INTERVENÇÕES FARMACOLÓGICAS E CIRÚRGICAS NAS LESÕES MEDULARES TRAUMÁTICAS

Autores

  • Clara Letícia Schmitt Gurgacz Autor
  • Ryan Rafael Barros de Macedo Autor
  • Sheylla Karine Medeiros Autor
  • Matheus Fausto Barbosa Gonçalves Autor
  • Gustavo Roberto Trentini Autor
  • Juliana Santos Rodrigues Autor
  • Janaína Andrade de Sousa Autor
  • Fabrício Duarte de Almeida Autor
  • Alliny Lopes Almeida Autor
  • Emanuelle Jardim Rodrigues Autor
  • Bruna Sartori da Silva Autor
  • Jose Henrique Pinto De Oliveira Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n2-019

Palavras-chave:

Traumatismos da Medula Espinal, Descompressão Cirúrgica, Neuroproteção, Células-Tronco Mesenquimais, Ressonância Magnética, Recuperação Funcional

Resumo

A lesão medular traumática (LMT) constitui uma condição neurológica grave, associada a déficits motores, sensitivos e autonômicos, com impacto significativo na funcionalidade e na qualidade de vida. Além do dano mecânico primário, a LMT desencadeia uma cascata de eventos fisiopatológicos secundários, incluindo edema, disfunção vascular, excitotoxicidade e neuroinflamação, que contribuem para a progressão da lesão e para a variabilidade dos desfechos clínicos. Nesse contexto, estratégias terapêuticas precoces e o adequado monitoramento da recuperação natural são fundamentais para a preservação do tecido neural viável e otimização do prognóstico funcional. O objetivo deste estudo foi sintetizar as evidências científicas recentes acerca das intervenções cirúrgicas, farmacológicas e emergentes no manejo da lesão medular traumática, bem como compreender os padrões de recuperação neurológica e o papel do monitoramento por imagem. Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, realizada na base de dados PubMed, utilizando os descritores Traumatic Spinal Cord Injuries, Therapy e Diagnosis, combinados por operadores booleanos AND e OR, conforme a terminologia MeSH. Foram incluídos artigos publicados nos últimos cinco anos, em língua inglesa, com acesso ao texto completo e foco direto no manejo terapêutico da LMT, priorizando ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas. Os resultados demonstram que a descompressão cirúrgica precoce, preferencialmente nas primeiras 24 horas após o trauma, está associada a melhores desfechos neurológicos, independentemente da gravidade ou localização da lesão, além de reduzir complicações relacionadas à imobilidade prolongada. No campo farmacológico, agentes como o riluzol apresentaram perfil de segurança adequado, porém sem benefício estatisticamente significativo no desfecho motor primário, enquanto o uso de metilprednisolona em altas doses é atualmente desencorajado devido à ausência de eficácia comprovada e ao risco elevado de efeitos adversos. Terapias emergentes, como o uso de células-tronco mesenquimais e técnicas de neuromodulação não invasiva, demonstraram segurança e potencial benefício funcional em estudos iniciais, especialmente em lesões incompletas. Observou-se ainda que a recuperação neurológica espontânea ocorre predominantemente nos primeiros seis a nove meses após o trauma, sendo mais intensa nos primeiros três meses, com maior potencial em pacientes com lesões incompletas. A ressonância magnética, especialmente em abordagens multiparamétricas, mostrou-se essencial para o monitoramento evolutivo, estratificação prognóstica e diferenciação entre recuperação natural e efeitos terapêuticos. Conclui-se que o manejo da lesão medular traumática deve integrar intervenções cirúrgicas precoces, cautela no uso de terapias farmacológicas tradicionais, incorporação progressiva de estratégias regenerativas e neuromodulatórias, além de acompanhamento clínico e por imagem, visando uma abordagem individualizada e baseada em evidências para maximizar a recuperação funcional.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

BYDON, M. et al. Intrathecal delivery of adipose-derived mesenchymal stem cells in traumatic spinal cord injury: Phase I trial. Nature Communications, v. 15, p. 2201, 2024.

CHEN, L. M. et al. Longitudinal Multiparametric MRI of Traumatic Spinal Cord Injury in Animal Models. Magnetic Resonance Imaging, v. 102, p. 184-200, 2023.

CHIKUDA, H. et al. Effect of Early vs Delayed Surgical Treatment on Motor Recovery in Incomplete Cervical Spinal Cord Injury With Preexisting Cervical Stenosis: A Randomized Clinical Trial. JAMA Network Open, v. 7, n. 2, p. e2356147, 2024.

CRYNS, N. et al. Clinical Practice Guideline: The Diagnosis and Treatment of Acute Spinal Cord Injury. Deutsches Ärzteblatt International, v. 121, p. 1-15, 2024.

FEHLINGS, M. G. et al. Safety and Efficacy of Riluzole in Acute Spinal Cord Injury Study (RISCIS): A Multi-Center, Randomized, Placebo-Controlled, Double-Blinded Trial. Journal of Neurotrauma, v. 40, p. 1878-1888, 2023.

HERNANDEZ-NAVARRO, A. et al. Non-invasive cerebral and spinal cord stimulation for motor and gait recovery in incomplete spinal cord injury: systematic review and meta-analysis. Journal of NeuroEngineering and Rehabilitation, v. 22, n. 53, 2025.

IZZY, S. Traumatic Spinal Cord Injury. Continuum (Minneap Minn), v. 30, n. 1, p. 53-72, 2024.

KHADOUR, F. A. et al. Epidemiological features of traumatic spinal cord injury in Wuhan, China. Journal of Orthopaedic Surgery and Research, v. 18, p. 72, 2023.

KIRSHBLUM, S. et al. Characterizing Natural Recovery after Traumatic Spinal Cord Injury. Journal of Neurotrauma, v. 38, p. 1267-1284, 2021.

Downloads

Publicado

2026-02-03

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

GURGACZ, Clara Letícia Schmitt et al. INTERVENÇÕES FARMACOLÓGICAS E CIRÚRGICAS NAS LESÕES MEDULARES TRAUMÁTICAS. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 2, p. e12043, 2026. DOI: 10.56238/arev8n2-019. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12043. Acesso em: 7 fev. 2026.